O período de festas juninas e arraiás tem sido acompanhado por um aumento nos casos de queimaduras, segundo especialistas da área da saúde. A campanha Junho Laranja busca justamente conscientizar a população sobre os riscos desses acidentes, que se tornam mais frequentes nesta época do ano devido ao uso de fogueiras, fogos de artifício e atividades domésticas, como churrascos.
Em entrevista, a médica cirurgiã Ana Carolina Fernandes, vice-presidente da regional da Sociedade Brasileira de Queimaduras, destacou que há sim um aumento de atendimentos nesse período, o que tem preocupado profissionais da área. Segundo ela, a combinação de atividades típicas das festas e o uso de materiais inflamáveis eleva o risco de acidentes.
Atendimentos
Os casos de queimaduras geralmente chegam inicialmente às unidades de pronto atendimento, muitas vezes após resgate realizado por bombeiros ou por encaminhamento direto da população. Nessas unidades, os pacientes recebem medicação para dor e avaliação inicial da gravidade.
Quando há maior extensão das lesões ou queimaduras mais profundas, os pacientes são encaminhados para unidades especializadas, podendo necessitar de internação hospitalar. A gravidade dos casos varia de acordo com a área do corpo atingida e a profundidade da queimadura.
A especialista reforça que a primeira medida em caso de queimadura é interromper imediatamente o processo de queimadura. A recomendação inicial é utilizar água corrente para resfriar a área atingida e reduzir o calor na pele. Em casos de fogo em roupas, a orientação é não correr, já que isso aumenta a oxigenação e pode intensificar as chamas. O recomendado é parar, deitar e rolar no chão para tentar apagar o fogo, antes de buscar resfriamento com água.
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Cuidados
A médica alerta que não se deve aplicar nenhum tipo de produto sobre queimaduras, como pasta de dente ou pomadas caseiras. Segundo ela, essas substâncias podem piorar a lesão, aumentar a dor e dificultar o atendimento médico posterior. Além disso, a remoção desses produtos pode causar ainda mais desconforto ao paciente. A orientação é sempre priorizar água corrente e encaminhamento imediato a um serviço de saúde.
As queimaduras são classificadas em diferentes graus de gravidade. As de primeiro grau são mais superficiais, geralmente associadas à exposição solar, causando vermelhidão e ardor, e costumam melhorar com hidratação e cuidados básicos.
Já as de segundo grau envolvem formação de bolhas e exigem atendimento médico especializado para curativos adequados. As de terceiro grau são as mais graves, atingindo todas as camadas da pele e podendo demandar cirurgia e internação.
Gravidade
Casos mais severos podem levar a longos períodos de internação e necessidade de múltiplos procedimentos de reconstrução da pele. Em situações extremas, o tratamento envolve enxertos e cuidados intensivos para recuperação. Além das consequências físicas, especialistas destacam que queimaduras graves podem gerar sequelas emocionais, funcionais e sociais, impactando a vida do paciente e de sua família.
A prevenção é considerada fundamental para evitar complicações. O uso de álcool ou gasolina para acender fogueiras e churrasqueiras é apontado como um dos principais fatores de risco para acidentes graves. A orientação é evitar ao máximo o uso desses combustíveis e buscar alternativas mais seguras, além de manter crianças longe de áreas com fogo, fogões e materiais inflamáveis.



