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Depoimento de diretor de manutenção da Voepass revela pressão para manter frota em operação

Carlos Alberto Costa, um dos 16 indiciados pela Polícia Federal, negou orientação para liberar aeronaves com falhas ou deixar de registrar problemas técnicos
Voepass
Polícia Federal apresenta conclusão da investigação sobre queda de avião da Voepass em Vinhedo, SP — Foto: Gabriella Ramos/g1

O diretor de manutenção da Voepass, Carlos Alberto Costa, afirmou à Polícia Federal que havia uma pressão constante dentro da companhia para manter a frota em operação. O executivo está entre as 16 pessoas indiciadas pela investigação sobre a queda da aeronave que matou 62 pessoas em Vinhedo, em agosto de 2024.

Segundo o depoimento, a cobrança diária era para saber quando aeronaves paradas para manutenção poderiam voltar a voar, já que atrasos afetavam passageiros, aeroportos e a malha da empresa. Costa, porém, negou que houvesse orientação para liberar aviões com falhas ou deixar de registrar problemas técnicos.

Cultura de omissão

A conclusão da Polícia Federal foi diferente da apresentada pelo diretor. O inquérito apontou a existência de uma cultura de omissão de falhas dentro da Voepass, com problemas recorrentes no sistema de degelo que deixavam de ser registrados formalmente nos livros técnicos das aeronaves.

De acordo com os investigadores, a falta de registros impedia ações corretivas da manutenção e permitia que os aviões continuassem operando. Costa afirmou que o Centro de Controle Operacional concentrava informações sobre voos, manutenção e meteorologia.

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Segundo o diretor, caso os problemas enfrentados pelas aeronaves tivessem sido formalmente comunicados entre os setores da empresa, a operação poderia ter sido alterada para evitar a exposição ao gelo severo registrado no dia do acidente.

Investigação

A Polícia Federal concluiu que a queda ocorreu por uma combinação de fatores, entre eles falhas no sistema de degelo, acúmulo de gelo nas asas e descumprimento de procedimentos operacionais previstos para situações desse tipo.

Carlos Alberto Costa foi indiciado por crimes relacionados ao atentado contra a segurança do transporte aéreo. O depoimento dele foi prestado na segunda-feira, em agosto, enquanto o presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho, prestou depoimento à Polícia Federal no dia seguinte.

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A Associação dos Familiares das Vítimas informou que prepara uma ação civil coletiva para buscar reparação pelos danos causados pelo acidente.

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