A falta de tempo para a convivência familiar, o excesso de telas e a exposição à violência estão entre os desafios que afetam atualmente crianças e adolescentes. A avaliação é da educadora Elisa Lunardi, criadora do movimento Infância sem Excesso, que participou de entrevista à CBN Ribeirão Preto no Dia Nacional da Infância.
Durante a conversa, Elisa comentou episódios recentes de violência envolvendo pré-adolescentes e destacou que esses casos não devem ser analisados de forma isolada. Para ela, a intolerância presente na sociedade também chega às escolas, que se tornaram um dos principais espaços de convivência social para crianças e adolescentes.
Convivência familiar
Segundo Elisa, crianças e adolescentes são constituídos a partir das relações e dos modelos que encontram no cotidiano. A falta de tempo para o convívio entre pais e filhos reduz oportunidades de diálogo, escuta e elaboração dos conflitos próprios dessa fase da vida.
A educadora também chamou atenção para o excesso de estímulos e para o contato com conteúdos violentos nas redes sociais. Na avaliação dela, é necessário ampliar o diálogo dentro das famílias e acompanhar o que crianças e adolescentes estão acessando, além de garantir momentos de convivência sem telas.
Violência escolar
Ao abordar os casos recentes de agressões entre pré-adolescentes, Elisa afirmou que a violência presente na sociedade também aparece no ambiente escolar. Ela defendeu uma análise mais ampla, que considere as relações familiares, a escola, as políticas públicas e os comportamentos sociais.
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A educadora também ressaltou que professores e escolas acumulam atualmente responsabilidades que vão além do currículo, incluindo questões emocionais, individuais e relacionadas à convivência. Para ela, é necessário diminuir o ritmo e recuperar espaços para o diálogo, os afetos e a escuta.
Infância sem excesso
Elisa defendeu ainda a valorização de atividades simples no cotidiano, sem a necessidade de grandes programas ou recursos. Brincar, cozinhar juntos, aproveitar a chuva e permitir que as crianças desenvolvam a curiosidade são exemplos de experiências que podem fortalecer a convivência.
Para a educadora, também é importante olhar para aquilo que já existe no entorno e criar momentos de calmaria e presença. A proposta, segundo ela, é reorganizar a rotina para que pais, filhos, crianças e adolescentes tenham mais tempo uns com os outros.



