A profilaxia pré-exposição ao HIV, conhecida como PrEP, ganhou uma nova modalidade com aplicação injetável a cada dois meses. A estratégia busca facilitar a adesão de pessoas que têm maior risco de adquirir o vírus e atualmente está disponível apenas na rede privada.
Segundo a médica infectologista Fernanda Guiote Pulga, do Hospital das Clínicas e do programa IST/Aids de Ribeirão Preto, a PrEP é indicada para pessoas que se consideram sob risco de infecção pelo HIV, incluindo aquelas que têm relações sexuais frequentes sem preservativo, múltiplas parcerias ou parceiros que vivem com o vírus.
A versão injetável utiliza o cabotegravir e ainda não foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Uma consulta pública sobre a tecnologia foi aberta e, de acordo com a especialista, o Ministério da Saúde deverá avaliar a incorporação após o encerramento do processo.
Como funciona
A PrEP é uma estratégia de prevenção voltada a pessoas que estão sob risco de adquirir o HIV. Atualmente, há opções de uso oral diário e sob demanda, em que o medicamento é tomado próximo à exposição.
A principal dificuldade apontada pela especialista na modalidade oral é a adesão. Esquecimentos e dificuldades para manter a rotina de medicação podem comprometer o uso correto da estratégia. Na versão injetável, a aplicação é realizada a cada dois meses, mantendo o medicamento presente no organismo durante esse período.
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De acordo com Fernanda, os estudos não apontam que a PrEP injetável seja superior à oral em eficácia, mas mostram uma vantagem relacionada à adesão, justamente por não exigir a lembrança diária do comprimido.
Incorporação ao SUS
Atualmente, o cabotegravir injetável está disponível apenas no setor privado. Segundo a médica, uma consulta pública sobre a incorporação da tecnologia ao SUS foi aberta e deve ser encerrada no fim de agosto. Depois disso, o Ministério da Saúde terá um prazo para avaliar a inclusão da modalidade.
A PrEP, seja oral ou injetável, protege especificamente contra o HIV e não previne outras infecções sexualmente transmissíveis. Para essas doenças, a especialista destaca a necessidade de outras estratégias de prevenção, como o uso de preservativo.
Prevenção
Fernanda também chama atenção para a importância de ampliar o acesso à informação e reduzir o estigma relacionado ao HIV. Segundo ela, ainda são registrados casos novos, inclusive entre pessoas jovens, que poderiam ter utilizado estratégias de prevenção disponíveis.
Em Ribeirão Preto, pessoas que têm dúvidas ou desejam realizar testes e receber orientações podem procurar os Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA). Segundo a médica, a cidade conta com cinco pontos de atendimento, onde são oferecidos testes rápidos para HIV, hepatites virais e sífilis, além de orientações sobre prevenção.
A especialista reforça que o atendimento é sigiloso e que o receio de exposição não deve impedir a busca por informações ou pelos serviços de saúde.



