O diagnóstico precoce da doença de Alzheimer pode ampliar as possibilidades de tratamento e ajudar a preservar a autonomia e a qualidade de vida dos pacientes pelo maior tempo possível. O alerta é reforçado durante o Setembro Lilás, mês de conscientização sobre a doença.
Em entrevista à CBN Ribeirão, o neurologista Francisco Vale explicou que, nos estágios iniciais, é comum que o próprio paciente não perceba as perdas cognitivas. Por isso, familiares e pessoas próximas têm papel importante na identificação dos primeiros sinais e na busca por avaliação médica.
Sinais iniciais
Segundo o especialista, algumas perdas leves de memória, atenção ou concentração podem ocorrer com o envelhecimento sem comprometer a independência do idoso. O sinal de alerta aparece quando as alterações cognitivas começam a afetar a funcionalidade e a autonomia, fazendo com que a pessoa passe a depender de outras para atividades cotidianas.
A doença de Alzheimer é mais comum após os 65 anos, embora também possa ocorrer antes dos 60 em casos considerados raros. Quanto mais avançada a idade, maior a possibilidade de desenvolvimento da doença, mas isso não significa que o envelhecimento necessariamente levará ao Alzheimer.
O neurologista também destaca a influência de fatores genéticos, ambientais e relacionados ao estilo de vida. Entre os fatores associados ao aumento do risco estão pressão arterial elevada, doenças circulatórias, alimentação rica em gorduras e açúcares, sedentarismo e consumo excessivo de álcool.
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Novos tratamentos
De acordo com Francisco Vale, medicamentos utilizados há décadas para o Alzheimer atuam aumentando os níveis de acetilcolina no cérebro e podem melhorar aprendizagem e memória, mas não interferem diretamente na evolução da doença.
Mais recentemente, surgiram medicamentos chamados modificadores da doença. Segundo o neurologista, eles atuam sobre a beta-amiloide, uma substância associada à doença, e podem retardar a progressão do Alzheimer. Estudos citados pelo médico já apontam resultados de três a cinco anos de retardo na evolução da doença.
O especialista ressalta que o diagnóstico precoce se tornou ainda mais importante com esses tratamentos. Também estão surgindo métodos para confirmar a doença de forma mais simples, incluindo exames de sangue que estão sendo avaliados para essa finalidade, além de pesquisas com outros materiais, como a saliva.
Prevenção
O neurologista afirma que não existe uma vacina ou medicamento capaz de garantir que uma pessoa não desenvolverá Alzheimer. No entanto, há recomendações que podem reduzir o risco da doença e que são respaldadas por evidências científicas.
A partir dos 60 anos, a recomendação é manter acompanhamento médico preventivo. Francisco Vale também cita abordagens não medicamentosas, como treino cognitivo e neuromodulação, entre as estratégias utilizadas no tratamento de transtornos cognitivos.
Segundo o médico, a combinação entre diagnóstico e tratamento mais precoces pode proporcionar melhor prognóstico e contribuir para a qualidade de vida tanto do paciente quanto dos familiares.



