A dor de garganta em crianças nem sempre exige tratamento com antibióticos, já que a maioria dos casos é provocada por vírus. Na coluna Filhos e Companhia, o pediatra Ivan Savioli Ferraz, professor e pesquisador da USP de Ribeirão Preto, alerta para o uso desnecessário desses medicamentos e explica que a automedicação pode contribuir para a resistência bacteriana, dificultando o tratamento de infecções futuras. Segundo o especialista, sintomas como coriza, tosse e febre baixa podem acompanhar quadros virais, enquanto infecções bacterianas tendem a provocar dor mais intensa, febre alta e piora rápida do estado geral da criança.
O médico também esclarece que a presença de secreção na garganta, isoladamente, não confirma uma infecção bacteriana, já que alguns quadros virais podem apresentar sinais semelhantes. A avaliação deve considerar o conjunto de sintomas, a intensidade da dor e as condições gerais da criança, incluindo dificuldades para engolir, alimentação e disposição para brincar. A decisão sobre o tratamento, ressalta o pediatra, deve ser sempre do profissional de saúde.
Outro tema abordado é a retirada das amígdalas, procedimento que atualmente é indicado em situações específicas, como infecções bacterianas recorrentes. O especialista explica que ter um ou dois episódios de infecção não significa, necessariamente, que a criança precise passar por cirurgia, já que as amígdalas também desempenham uma função de defesa do organismo. Ouça a íntegra da coluna Filhos e Companhia no áudio acima.