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Educação deve ser critério de escolha no segundo turno, avalia especialista

Professor compara propostas de Lula e Flávio Bolsonaro e destaca a importância de avaliar a viabilidade dos planos e os desafios da aprendizagem no Brasil
Educação
Foto: Flávio Florido/EducaçãoSP

Com a aproximação do segundo turno das eleições presidenciais, a educação aparece como um dos temas que os eleitores podem considerar na escolha entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Para o professor e pesquisador Wigvan Pereira dos Santos, a análise dos planos de governo deve ir além das preferências pessoais e considerar dados concretos, prioridades e a viabilidade das propostas.

Em entrevista à CBN Ribeirão Preto, o especialista, que é filósofo, mestre em estudos comparados e doutor em Ciências da Literatura, afirmou que os candidatos apresentam orientações diferentes para a área. Enquanto Lula enfatiza a ampliação de políticas públicas, inclusão e mecanismos de permanência dos estudantes na escola, Flávio Bolsonaro prioriza uma abordagem mais administrativa, com foco na mensuração de resultados, disciplina escolar, formação técnica e participação da iniciativa privada.

Segundo Santos, um dos pontos fundamentais na avaliação das duas propostas é entender como elas serão financiadas e colocadas em prática. O professor também recomenda que os eleitores considerem os possíveis impactos das medidas para a própria realidade e para a sociedade.

Evasão e aprendizagem

Ao comentar o programa Pé-de-Meia, do governo Lula, que busca incentivar a permanência dos jovens na escola, Santos afirmou que a principal questão não é o pagamento de um benefício financeiro para estimular os estudos, mas a capacidade da iniciativa de enfrentar os diferentes fatores que levam à evasão escolar.

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Na avaliação do professor, o programa contribui para combater o abandono motivado por dificuldades econômicas, mas esse não é o único motivo que leva um estudante a deixar a escola. Ele também mencionou que a proposta Acolher, associada ao plano de Flávio Bolsonaro, prevê remunerar estudantes com bom desempenho para que atuem como monitores e ofereçam reforço escolar aos colegas. O candidato também apresenta uma possibilidade de investimento de empresas na educação, segundo a entrevista.

Para Santos, um dos principais desafios do ensino brasileiro é transformar a presença dos alunos nas salas de aula em aprendizagem efetiva. Ele destacou que a escolarização entre crianças e adolescentes de 6 a 14 anos apresenta resultados positivos, mas ponderou que o aprendizado também depende da formação dos professores, da infraestrutura das escolas e das condições sociais dos estudantes.

Institutos federais

Como alternativa para melhorar a educação, o professor apontou os institutos federais como um modelo que poderia ser ampliado e aprimorado. Segundo ele, essas instituições combinam formação técnica e tecnológica com ensino geral e humanidades, além de oferecerem atividades culturais e esportivas.

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Santos também destacou a carreira dos professores nos institutos federais, que, na avaliação dele, contribui para atrair profissionais qualificados. O especialista afirmou que a experiência dessas instituições pode ajudar a conciliar as necessidades de formação profissional com o desenvolvimento amplo dos estudantes.

Papel do governo

O professor ressaltou ainda que o eleitor precisa considerar as atribuições de cada esfera de governo antes de avaliar as propostas para a educação. Conforme explicou, os municípios são responsáveis pela educação infantil e pelo ensino fundamental, enquanto os estados atuam no ensino fundamental e médio. Já o governo federal tem responsabilidade sobre as universidades públicas federais e os institutos federais.

Outro aspecto apontado por Santos é o perfil do ministro da Educação escolhido pelo presidente eleito, já que o trabalho da pasta depende de articulação com outras áreas e esferas de governo.

Para o especialista, a escolha eleitoral deve levar em conta não apenas as promessas dos candidatos, mas também as condições para executá-las e seus possíveis efeitos para a população. Ele defende que os eleitores consultem os planos de governo e avaliem as propostas com base em informações concretas, considerando tanto suas necessidades individuais quanto o interesse coletivo.

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