A educação para a cidadania deve começar dentro de casa, muito antes de as crianças terem idade para votar. Em um cenário de polarização política e de forte presença das redes sociais, pais e responsáveis têm o desafio de ensinar os filhos a respeitar opiniões diferentes e a compreender seu papel na sociedade.
A avaliação é do presidente da Associação dos Procuradores do Estado de São Paulo (Apesp), José Luiz Souza de Morais, que participou de uma entrevista à CBN em referência ao Dia das Crianças. Segundo ele, a formação cidadã não se limita ao conhecimento dos direitos políticos, mas envolve a compreensão de que todos fazem parte das decisões públicas e têm voz na sociedade.
De acordo com o entrevistado, crianças e adolescentes devem ser reconhecidos como sujeitos de direitos e pessoas em desenvolvimento, com opiniões que precisam ser ouvidas e respeitadas. A Constituição Federal de 1988 representou um marco nesse sentido, ao estabelecer a proteção dos direitos fundamentais desse público com absoluta prioridade.
Exemplo em casa
Para José Luiz Souza de Morais, a principal forma de ensinar cidadania é pelo exemplo. Os adultos precisam demonstrar, no cotidiano, que pessoas com opiniões diferentes não são inimigas e que o respeito à divergência é um dos fundamentos da democracia.
O procurador ressalta que a democracia pressupõe o respeito aos direitos das minorias, mesmo quando suas ideias não representam a vontade da maioria. Por isso, a educação das crianças deve incluir não apenas a compreensão dos próprios direitos, mas também o aprendizado sobre responsabilidades e respeito ao próximo.
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O entrevistado também destaca a importância de permitir que os filhos participem de pequenas decisões familiares, de acordo com a idade e o nível de maturidade. A prática ajuda a desenvolver o sentimento de pertencimento e a percepção de que suas opiniões podem ser consideradas, sem que isso signifique atender a todas as suas vontades.
Redes sociais
A presença dos celulares e das redes sociais representa outro desafio para a educação cidadã. Segundo José Luiz, os algoritmos das plataformas tendem a aproximar os usuários de conteúdos e opiniões semelhantes aos seus, criando bolhas que podem limitar o contato com perspectivas diferentes.
Nesse contexto, ele defende que os pais estabeleçam limites para o acesso às redes sociais e reforcem, dentro de casa, a importância da pluralidade. O objetivo é mostrar às crianças que a convivência democrática depende da capacidade de ouvir, respeitar e dialogar com quem pensa de maneira diferente.
O procurador lembra ainda que o Brasil é um país marcado pela diversidade cultural e por diferentes origens e costumes. Para ele, ensinar as crianças a reconhecer e respeitar essas diferenças é uma forma de prepará-las para participar da sociedade e contribuir para o futuro da democracia.



