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Embalagem com composto natural do orégano pode triplicar a conservação de morangos

Tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Embrapa Instrumentação, em São Carlos, utiliza camadas de papelão para liberar uma substância antimicrobiana e retardar a deterioração da fruta
Embalagem
Tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Embrapa Instrumentação, em São Carlos, utiliza camadas de papelão para liberar uma substância antimicrobiana e retardar a deterioração da fruta

Uma embalagem de papelão com um composto natural presente no orégano pode triplicar o tempo de conservação de morangos sob refrigeração. A tecnologia foi desenvolvida por pesquisadores da Embrapa Instrumentação, em São Carlos, e busca reduzir o desperdício da fruta, que é sensível às variações de temperatura e se deteriora rapidamente durante o transporte, a comercialização e o armazenamento doméstico.

A solução utiliza o carvacrol, substância conhecida pela ação antimicrobiana, incorporado a uma estrutura de papelão com várias camadas. O material foi desenvolvido para liberar o composto de maneira controlada, ajudando a retardar a proliferação de fungos responsáveis pela deterioração dos morangos e a preservar a qualidade das frutas por mais tempo.

Além de prolongar a vida útil do alimento, a tecnologia pode contribuir para reduzir prejuízos de comerciantes e consumidores. Isso porque parte dos morangos pode se deteriorar poucos dias após a compra, diminuindo o período disponível para o consumo e aumentando o desperdício.

Embalagem ativa

O desenvolvimento da tecnologia exigiu testes para entender como o composto volátil se comportaria dentro da embalagem. Segundo o pesquisador Ramon Perz Brechó, a equipe avaliou diferentes configurações de papel, com e sem barreiras, para encontrar uma formulação adequada.

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A estrutura também precisou ser planejada para proteger a fruta e controlar a liberação da substância durante o armazenamento. De acordo com o pesquisador Marcos David Ferreira, a combinação de diferentes camadas de papel contribuiu para a ação antimicrobiana e para o prolongamento da vida de prateleira dos morangos.

Na etapa experimental, os pesquisadores avaliaram 120 morangos da variedade San André, produzidos em Bom Repouso, em Minas Gerais. As frutas foram acondicionadas nas embalagens e armazenadas durante nove dias, a aproximadamente 10°C. Os resultados indicaram que a embalagem ativa ajudou a retardar a deterioração e a preservar a qualidade dos morangos por mais tempo.

Segurança alimentar

Além de avaliar a conservação das frutas, a equipe realizou testes com bactérias como Escherichia coli e estafilococos, potencialmente associados a doenças em seres humanos. Segundo os pesquisadores, foram observados resultados positivos de inibição do crescimento, principalmente no caso dos estafilococos.

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A redução da possibilidade de doenças transmitidas por alimentos está entre os objetivos da pesquisa. Os resultados, porém, fazem parte de uma etapa experimental, e a tecnologia ainda é considerada uma prova de conceito.

A equipe também trabalha com óleos essenciais de plantas nativas, com o objetivo de incorporar a biodiversidade brasileira ao desenvolvimento de soluções para frutas e hortaliças. Outra frente é aprimorar a embalagem para torná-la mais adequada ao consumidor final.

A expectativa é que novas tecnologias sejam incorporadas à estrutura para viabilizar sua aplicação. Se avançar para o uso comercial, a embalagem poderá ajudar a diminuir as perdas de morangos ao longo da cadeia de distribuição e ampliar o tempo disponível para o consumo da fruta em casa.

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