O endividamento segue como uma das principais preocupações das famílias brasileiras e já impacta diretamente a população de Ribeirão Preto. Cerca de 50,8% dos moradores da cidade estão com dívidas atrasadas ou negativadas, refletindo um cenário nacional em que dois em cada três brasileiros possuem algum tipo de débito.
Um levantamento do Datafolha também aponta que uma parcela relevante dessas pessoas enfrenta dificuldades para manter os pagamentos em dia. Com o orçamento cada vez mais pressionado, o crédito deixou de ser apenas um recurso pontual e passou a funcionar, em muitos casos, como complemento de renda.
Dívida controle
Para o especialista em educação financeira Reinaldo Domingos, o problema não está necessariamente na dívida, mas na falta de controle do orçamento. Ele explica que o crédito pode ser um aliado, desde que utilizado com planejamento e dentro da capacidade de pagamento da família.
Segundo ele, o risco surge quando novas parcelas são assumidas sem análise prévia das finanças. O acúmulo de compromissos pode comprometer o equilíbrio financeiro e transformar a dívida em um problema crescente dentro do orçamento doméstico. O especialista também alerta que o excesso, seja de dívidas ou até de recursos, pode trazer consequências negativas. Por isso, o controle financeiro contínuo é essencial para evitar o descontrole.
O cenário econômico também contribui para o aumento do endividamento. Enquanto reajustes salariais giram em torno de 5% ao ano, o custo de produtos e serviços pode subir entre 15% e 20%, reduzindo o poder de compra das famílias.
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Esse descompasso faz com que mais pessoas recorram ao crédito para manter o padrão de consumo, elevando o risco de inadimplência. Atualmente, o Brasil já soma 81,7 milhões de pessoas com contas em atraso, número que cresceu após a pandemia. Diante desse contexto, o especialista reforça a importância de estabelecer objetivos financeiros claros. Segundo ele, o foco em sonhos e metas familiares pode ajudar a reduzir o consumo excessivo e dar mais sentido ao uso do dinheiro.
Orçamento familiar
Uma das principais orientações é envolver toda a família na organização financeira. De acordo com Domingos, não existe educação financeira individual, mas sim coletiva, dentro do ambiente familiar.
Ele destaca que despesas do dia a dia, como energia, água e supermercado, podem ter desperdícios significativos, chegando a até 50% em alguns casos. A redução desses excessos depende de conscientização e participação de todos os membros da casa. Além disso, o especialista recomenda a realização de uma “faxina financeira” periódica, com levantamento detalhado dos gastos ao longo de 30 dias. A prática ajuda a identificar onde é possível economizar e reorganizar prioridades.
Educação financeira
A educação financeira desde a infância é apontada como fundamental para mudar esse cenário no longo prazo. Domingos defende que crianças e jovens precisam aprender, desde cedo, sobre o valor do dinheiro e o impacto das escolhas de consumo.
Ele ressalta que o ensino deve ocorrer tanto nas escolas quanto dentro de casa, com exemplos práticos no cotidiano. A participação dos filhos nas decisões financeiras pode contribuir para formar adultos mais conscientes. Por fim, o especialista destaca que o crédito não é, por si só, um problema, mas exige uso responsável. Sem planejamento, pode se tornar um fator de desequilíbrio nas finanças das famílias.



