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Endividamento atinge recorde no Brasil e especialista alerta para falta de controle financeiro

Cartão de crédito lidera dívidas das famílias e especialista defende orçamento e educação financeira para evitar inadimplência
endividamento
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O número de famílias endividadas no Brasil atingiu o maior índice desde 2010, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. Em abril deste ano, 80,9% das famílias brasileiras estavam endividadas, enquanto a inadimplência chegou a 29,7% entre contas em atraso de 30 a 90 dias.

Entre as principais modalidades de dívida, o cartão de crédito aparece como o principal responsável pelo endividamento, seguido por carnês de loja, crédito pessoal e financiamentos de imóveis e veículos. Para o diretor da Escola de Negócios de Ribeirão Preto, Rodrigo Nocera, o crédito tem sido utilizado pelas famílias como uma forma de prolongar o poder de compra diante das dificuldades financeiras.

Segundo ele, muitas pessoas acabam consumindo além da capacidade de pagamento por falta de planejamento e controle financeiro, o que contribui para o crescimento da inadimplência no país.

Crédito familiar

Rodrigo Nocera afirmou que o crédito passou a funcionar como um “amortecedor” financeiro para muitas famílias brasileiras. Segundo ele, diante da necessidade de manter o consumo e o padrão de vida, muitas pessoas recorrem ao crédito sem entender completamente os impactos do parcelamento e dos juros.

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O especialista explicou que o parcelamento cria uma falsa sensação de capacidade financeira, já que as famílias deixam de acompanhar o volume total das parcelas acumuladas. Com isso, os gastos acabam ultrapassando a renda mensal disponível.

Ele também destacou que financiamentos de imóveis e veículos seguem a mesma lógica do cartão de crédito. Quando as parcelas deixam de caber no orçamento familiar, as dívidas deixam de ser prioridade e passam a gerar inadimplência.

Controle financeiro

Durante a entrevista, Rodrigo reforçou que o principal sinal de alerta para evitar o endividamento é a ausência de orçamento doméstico. Segundo ele, muitas famílias gastam mais do que deveriam porque não fazem planejamento financeiro básico no dia a dia.

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O diretor da escola de negócios afirmou que ações simples, como fazer lista de compras, definir orçamento para combustível e pesquisar preços antes de consumir, ajudam a evitar gastos impulsivos e surpresas no orçamento mensal.

Ele também alertou para o uso excessivo do cartão de crédito como forma de concentrar despesas e acumular pontos ou milhas. Segundo Rodrigo, muitas pessoas acabam perdendo o controle financeiro ao centralizar todos os gastos no crédito.

Renegociação

Para quem já enfrenta dificuldades financeiras e está inadimplente, Rodrigo Nocera orienta que o primeiro passo é reorganizar o orçamento e evitar decisões impulsivas para quitar dívidas sem planejamento.

Segundo ele, mutirões, feirões e plataformas de renegociação podem ser alternativas para reduzir os débitos. O especialista também recomenda priorizar o pagamento de dívidas com juros mais altos, como cartão de crédito e cheque especial.

Rodrigo destacou ainda a importância da inteligência financeira, conceito que relaciona o controle emocional e o conhecimento sobre dinheiro. Para ele, desenvolver educação financeira também permite que as pessoas criem o hábito de investir e construam uma reserva financeira para o futuro.

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