O aumento dos casos de gripe e doenças respiratórias em Ribeirão Preto acende um alerta para a baixa cobertura vacinal e os riscos, principalmente entre crianças e idosos. Com a chegada do período de transição entre outono e inverno, a circulação de vírus respiratórios tende a crescer, elevando também o número de internações por complicações causadas pela influenza e pelo vírus sincicial respiratório.
Em entrevista à CBN Ribeirão, a médica pediatra e gerente da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, Viviane Balbão, destacou que as crianças menores de 2 anos estão entre os grupos mais vulneráveis. Segundo ela, os pequenos possuem sistema imunológico ainda em desenvolvimento e vias aéreas menores, o que aumenta o risco de agravamento dos quadros respiratórios.
Casos graves
Dados da Secretaria Municipal de Saúde apontam que Ribeirão Preto registrou 439 notificações de síndrome respiratória aguda grave entre 1º de janeiro e 17 de maio deste ano. No mesmo período, foram confirmadas cinco mortes por vírus respiratórios, sendo três por influenza e duas por Covid-19.
Segundo a médica, o vírus sincicial respiratório segue como o principal responsável por internações e mortes em crianças menores de 2 anos. Casos de bronquiolite, pneumonia e outras infecções respiratórias graves aumentam nesta época do ano, especialmente entre março e agosto.
Viviane Balbão explicou que uma infecção respiratória inicialmente leve pode evoluir rapidamente para quadros graves, levando à insuficiência respiratória e necessidade de internação hospitalar.
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Vacinação
A especialista reforçou que a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção contra casos graves e mortes. Atualmente, a imunização contra a gripe em Ribeirão Preto segue disponível apenas para os grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde.
Apesar disso, a cobertura vacinal segue abaixo do esperado. A médica destacou que a baixa adesão não é uma realidade apenas do município, mas de todo o país.
Ela também alertou para o perigo das fake news relacionadas às vacinas e afirmou que os riscos estão relacionados aos vírus e não aos imunizantes.
Automedicação
Outro ponto de atenção destacado pela médica é o uso indiscriminado de medicamentos sem orientação profissional, principalmente em crianças.
Segundo Viviane Balbão, muitas famílias recorrem à internet ou à automedicação ao perceber sintomas gripais, o que pode agravar o quadro clínico e até causar intoxicações.
Ela orienta que crianças com febre, tosse persistente ou sinais de dificuldade respiratória devem permanecer em casa, receber hidratação adequada e ser avaliadas por um pediatra em caso de agravamento dos sintomas.



