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Excesso de telas pode aumentar isolamento e afetar saúde de idosos, alerta especialista

Especialista explica que uso excessivo do celular pode substituir atividades sociais, prejudicar memória, sono e alimentação e mascarar sinais de depressão
Excesso
Lina Darjan's Images/Canva

O uso excessivo de celulares e computadores também exige atenção quando se trata de idosos. Segundo a médica especialista em geriatria, Érica Abijaudi, a tecnologia trouxe benefícios importantes para essa faixa etária, como a possibilidade de fazer cursos, aprender idiomas e manter contato com familiares por chamadas de vídeo, mas o excesso pode provocar efeitos negativos.

A especialista explica que o principal problema ocorre quando o idoso passa a substituir a convivência presencial pelo uso das telas. Atividades como ir à igreja, participar de almoços em família, festas e confraternizações podem ser deixadas de lado para que a pessoa permaneça em casa, muitas vezes isolada, utilizando o celular.

Um levantamento citado durante a entrevista aponta que idosos passam, em média, 22 horas por semana no celular. O mesmo levantamento indica que 80,3% dos idosos têm aparelho próprio e que 74,5% utilizam a internet no Brasil.

Isolamento

De acordo com Érica, existem alternativas para reduzir o isolamento social dos idosos, como atividades físicas realizadas em casa por profissionais e grupos organizados nos próprios condomínios. A preocupação aumenta quando a tela começa a substituir atividades que estimulam a convivência e a cognição.

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A especialista afirma que a estimulação proporcionada pela tecnologia pode ser positiva até determinado ponto. O excesso, porém, pode fazer com que o idoso deixe de realizar atividades importantes para a memória, como escrever à mão, e passe mais tempo apenas assistindo a vídeos sem conteúdo educativo ou estímulo cognitivo.

Por outro lado, nem todo uso de tecnologia é negativo. As chamadas de vídeo, por exemplo, são apontadas pela especialista como uma ferramenta importante para manter a interação com familiares, especialmente durante o período de isolamento provocado pela pandemia de Covid-19. Cursos online ao vivo também podem favorecer a interação.

Sinais de alerta

A família deve ficar atenta quando o idoso deixa de participar de eventos familiares ou sociais dos quais costumava fazer parte, abandona atividades físicas, deixa de sair de casa ou passa a comer e dormir menos. Esses comportamentos podem indicar que algo não está bem.

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Segundo Érica, o excesso de telas também pode estar associado à irritabilidade e falhas de memória. Em alguns casos, familiares podem interpretar essas alterações como sinais de demência, quando o problema pode estar relacionado a um quadro de depressão.

A especialista recomenda procurar atendimento médico para identificar a causa das mudanças e iniciar o acompanhamento adequado o quanto antes. Durante a entrevista, Érica também alertou que o isolamento e a depressão podem ser fatores de risco para o suicídio entre idosos e reforçou a necessidade de atenção aos sinais.

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