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Famílias de vítimas do voo da Voepass têm acesso a laudo da PF e esperam indiciamentos em julho

Investigação sobre queda do voo 2283 entra na reta final, e relatório da Polícia Federal pode apontar responsabilidades criminais ainda neste mês
Famílias
Fernando Evans/g1

Familiares das vítimas do acidente aéreo da Voepass, que matou 62 pessoas em 9 de agosto de 2024, tiveram acesso ao laudo pericial da Polícia Federal durante reunião realizada nesta semana em Campinas. O documento integra a investigação sigilosa sobre as causas da queda do voo 2283, em Vinhedo, e pode embasar novos depoimentos e possíveis indiciamentos.

Durante o encontro, representantes da associação de familiares das vítimas também tiveram acesso à transcrição das conversas ocorridas dentro da cabine da aeronave nos instantes anteriores à queda. Segundo os advogados, o conteúdo reforça a expectativa de responsabilização criminal de pessoas e empresas envolvidas.

Investigação final

De acordo com informações repassadas às famílias, o inquérito da Polícia Federal está na reta final e o relatório conclusivo pode ser apresentado ainda em julho, antes de o desastre completar dois anos.

O advogado da associação, Luciano Catarin, afirmou que há grande probabilidade de indiciamentos com base nas conclusões do laudo elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalística. Segundo ele, novas oitivas devem ocorrer, e pessoas que antes prestaram esclarecimentos como declarantes poderão passar à condição de investigadas.

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Além da esfera criminal, os familiares também articulam uma ação civil coletiva para pedir indenização por danos morais relacionados à tragédia.

Justiça

A vice-presidente da associação, Adriana Iba, mãe da menina Liz, de 3 anos, a vítima mais jovem do acidente, afirmou que as famílias não aceitarão uma responsabilização restrita apenas à tripulação.

Segundo ela, houve falhas em diferentes níveis, e a associação seguirá cobrando a responsabilização de todos os envolvidos direta ou indiretamente na queda da aeronave.

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As famílias aguardam que, após a conclusão do inquérito policial, o Ministério Público Federal analise o caso e ofereça denúncia criminal.

Relembre o caso

O acidente aconteceu em 9 de agosto de 2024, quando o voo 2283 da Voepass decolou de Cascavel com destino a Guarulhos. Cerca de 1h20 após a decolagem, a aeronave caiu em uma área de condomínio em Vinhedo.

Todas as 62 pessoas a bordo morreram: 58 passageiros e quatro tripulantes. O acidente se tornou o maior desastre aéreo no Brasil desde 2007.

Duas semanas após a tragédia, a Polícia Federal iniciou a análise das caixas-pretas da aeronave. Paralelamente, o CENIPA passou a conduzir a investigação técnica sobre o caso.

Em relatório preliminar divulgado em setembro de 2024, o órgão apontou uma sequência de eventos que antecederam a colisão da aeronave com o solo. Atualmente, a investigação técnica está com cerca de 75% de conclusão.

No âmbito administrativo, a ANAC suspendeu as operações da Voepass em março de 2025. Três meses depois, a agência cassou definitivamente o certificado da companhia por dois anos e aplicou multa de R$ 570 mil.

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