O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto está recrutando participantes para uma pesquisa nacional que vai avaliar a eficácia de uma polipílula desenvolvida no Brasil para a prevenção de acidente vascular cerebral (AVC). O estudo é conduzido pelo Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, em parceria com o Ministério da Saúde, por meio do programa de apoio ao desenvolvimento institucional do Sistema Único de Saúde (SUS).
A pesquisa está na segunda etapa e pretende acompanhar quase 8 mil pessoas em diferentes estados brasileiros por um período mínimo de três anos. Em Ribeirão Preto, a previsão inicial é recrutar entre 200 e 300 participantes.
Segundo o neurologista e professor da USP Octávio Marques Pontes Neto, o estudo é voltado à prevenção primária e busca avaliar se a combinação de medicamentos e um aplicativo de celular podem reduzir o risco de AVC, infarto e demência em pessoas com fatores de risco cardiovascular.
Quem participa
Podem participar pessoas entre 50 e 75 anos que não tenham histórico de diabetes, AVC ou doença cardiovascular estabelecida. Os interessados também precisam apresentar pelo menos um fator de risco modificável, como sobrepeso, sedentarismo ou tabagismo.
Outro critério é ter pressão arterial sistólica entre 121 e 139. Os voluntários passarão por uma avaliação inicial e serão esclarecidos sobre a pesquisa antes de decidirem pela participação e assinarem o termo de consentimento.
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Em Ribeirão Preto, os interessados podem entrar em contato com a equipe responsável pelo estudo pelo WhatsApp (51) 99356-911. Os participantes selecionados serão acompanhados durante três anos para avaliação dos fatores de risco cardiovascular e dos efeitos das intervenções.
Polipílula
A polipílula avaliada reúne três medicamentos, sendo dois anti-hipertensivos e um remédio para redução do colesterol. A pesquisa também utiliza um aplicativo de celular desenvolvido para ajudar os participantes a controlar os fatores de risco.
De acordo com Octávio Marques Pontes Neto, a combinação de diferentes medicamentos em uma única pílula pode facilitar a adesão ao tratamento. O estudo também avalia uma estratégia de controle mais rigoroso da pressão arterial, com níveis sistólicos entre 120 e 140.
A proposta é verificar se uma pressão mais baixa, próxima de 12 por 8, pode ser mais adequada para controlar o risco de AVC e demência nessa população. Os resultados do acompanhamento serão importantes para avaliar os efeitos das duas intervenções.
Prevenção
O neurologista afirma que é possível reduzir em até 90% o risco de AVC por meio do controle dos fatores de risco. Segundo ele, o Brasil avançou nos últimos 20 anos na estruturação do atendimento aos pacientes, com a criação de centros especializados e linhas de cuidado.
Em Ribeirão Preto, o atendimento é realizado em conjunto por serviços como o SAMU, a rede de atenção primária e secundária e hospitais da região. Octávio destaca, porém, que ainda há dificuldades e que existe necessidade de ampliar a quantidade de leitos para atendimento de pacientes com AVC.
Além da prevenção, o médico reforça a importância de conhecer os fatores de risco, manter o tratamento e saber identificar os sintomas de um AVC para acionar rapidamente o sistema de emergência.



