A inovação tem se espalhado para além dos grandes centros urbanos, e Ribeirão Preto aparece como um dos polos regionais desse movimento. O tema será discutido no painel “O mapa da inovação mudou? O futuro longe das capitais”, durante a sétima edição do Inova Ribeirão.
A subsecretária de Competitividade e Desenvolvimento Econômico e Regional da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, Júlia Mota, afirma que o mapa da inovação foi ampliado com a maior participação do interior. Segundo ela, o processo não significa uma redução da importância da capital, mas uma democratização das oportunidades e uma valorização das características de cada território.
Professor do departamento de Administração da FEA-RP/USP, Alexandre Dias também aponta evidências de interiorização da inovação. Ele cita dados de educação superior, pós-graduação e depósitos de patentes como indicadores desse processo.
Interiorização
Segundo Alexandre, dados do INEP mostram uma tendência de interiorização tanto nas matrículas em cursos presenciais quanto na pós-graduação. Ele também afirma que informações do INPI apontam aumento da participação de instituições do interior nos depósitos de patentes entre 2000 e 2024.
Para o professor, a inovação não depende apenas da produção acadêmica e também precisa estar conectada ao setor produtivo. Nesse cenário, grandes centros continuam relevantes, mas novos polos regionais ganham importância.
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Ribeirão Preto é citado como um desses polos por reunir parque tecnológico, incubadoras, universidades, produção de conhecimento e tecnologia e uma massa de estudantes e profissionais que contribuem para o desenvolvimento de soluções inovadoras.
Vocações locais
Júlia destaca o programa SP Produz, voltado ao fortalecimento de cadeias produtivas locais. A iniciativa incentiva a atuação conjunta de empresas, universidades, centros de pesquisa, parques tecnológicos e poder público para aumentar a competitividade dos setores.
Entre os exemplos da região estão as cadeias produtivas da saúde e da bioenergia. Segundo a subsecretária, Ribeirão Preto possui um polo de saúde relevante, enquanto Sertãozinho, na região, concentra uma cadeia produtiva relacionada à bioenergia.
O programa oferece apoio técnico, mentoria, qualificação e recursos a fundo perdido para projetos das cadeias produtivas locais reconhecidas. Em Ribeirão Preto, a cadeia da saúde utilizou recursos para adquirir um equipamento de certificação que está no Supera Parque e pode ser acessado pelas empresas participantes.
Universidade e empresas
Para Alexandre, a aproximação entre universidades e empresas ainda é um dos desafios para ampliar a inovação. Segundo ele, a USP avançou nesse processo, mas existe espaço para ampliar a conexão com o setor produtivo.
O professor também destaca a importância das grandes empresas como âncoras para o desenvolvimento dos territórios. Na avaliação apresentada por ele, companhias de maior porte podem contribuir para aproximar startups locais de fluxos de desenvolvimento tecnológico.
Júlia e Alexandre participam do painel sobre o mapa da inovação durante a programação do Inova Ribeirão. A discussão aborda a descentralização da inovação, as vocações regionais e os caminhos para aproximar governo, universidades, empresas e outros atores do ecossistema.



