A Prefeitura de Jaboticabal decretou estado de calamidade pública na saúde devido ao aumento expressivo dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e à superlotação das unidades de atendimento do município.
Um dos principais pontos de preocupação é a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que tem capacidade para atender cerca de 150 pacientes por dia, mas vem registrando mais de 350 atendimentos diários. A situação ganhou repercussão após a morte da bebê Antonela, de sete meses, diagnosticada com bronquiolite enquanto aguardava transferência para uma unidade hospitalar com estrutura adequada para o tratamento.
Caso Antonela
De acordo com a família, a criança apresentou inicialmente sintomas semelhantes aos de uma gripe, como coriza e febre. Após passar pela UPA, o quadro respiratório piorou e ela retornou à unidade, onde foi diagnosticada com bronquiolite e posteriormente internada.
A mãe da bebê, Luana Costa, afirma que a filha aguardava uma vaga por meio da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), mas a transferência não aconteceu a tempo. O advogado da família, Mateus Luiz Pavan Ferreira, informou que foram feitas quatro solicitações de leito pelo sistema, todas negadas até o momento da morte da criança. Segundo a defesa, a família também conseguiu uma vaga em um hospital particular, mas encontrou dificuldades para realizar o transporte da bebê até a unidade.
Diante do aumento da procura por atendimento, a Prefeitura de Jaboticabal informou que o decreto de calamidade permite acelerar a compra de medicamentos, equipamentos e insumos diretamente com fornecedores, sem a necessidade dos processos licitatórios tradicionais. O município também anunciou uma parceria com um hospital da cidade para ampliar em seis o número de leitos de UTI disponíveis para atender pacientes com quadros mais graves.
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Versões divergentes
O secretário municipal de Saúde, Diego Nogueira, afirmou que não houve falha no atendimento prestado à bebê e que a transferência chegou a ser autorizada pelo sistema Cross. No entanto, segundo ele, Antonela não apresentava condições clínicas de ser transportada no momento em que a vaga foi disponibilizada.
Em nota, a Secretaria Estadual da Saúde lamentou a morte da criança e informou que a transferência para a Santa Casa de Sertãozinho foi autorizada no dia seguinte à entrada dela na UPA. A pasta afirmou que o sistema Cross funciona 24 horas por dia e realiza a busca por vagas de acordo com a disponibilidade de leitos e a capacidade técnica dos hospitais.



