A campanha Junho Branco, voltada à prevenção e ao combate ao uso abusivo de álcool, tabaco e outras drogas, reforça um debate cada vez mais necessário sobre saúde mental e dependência química. Em Ribeirão Preto, o tema faz parte da rotina dos profissionais que atuam diretamente no acolhimento e tratamento de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Somente no CAPS Álcool e Drogas (CAPS AD) do município, cerca de 70 pessoas procuram atendimento diariamente em busca de apoio para enfrentar a dependência química e reconstruir suas vidas. Apesar da estrutura disponível, especialistas alertam que o preconceito e a falta de informação ainda são barreiras para quem precisa de ajuda.
Ajuda
Segundo o psicólogo e coordenador de saúde mental, álcool e drogas do CAPS de Ribeirão Preto, Marcus Vinícius dos Santos, muitas pessoas demoram para procurar tratamento por vergonha ou por dificuldade em reconhecer que o uso da substância se tornou um problema.
De acordo com ele, em muitos casos, são familiares e pessoas próximas que percebem primeiro os impactos negativos do uso abusivo, como prejuízos nas relações pessoais, no trabalho e na qualidade de vida. Quanto maior a demora para buscar atendimento especializado, maior tende a ser o agravamento do quadro.
Embora o tratamento da dependência química seja complexo e exija acompanhamento prolongado, a recuperação é possível. O especialista destaca que, apesar das dificuldades e da possibilidade de recaídas, muitas pessoas conseguem superar a dependência e retomar a rotina.
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Rede de apoio
Em Ribeirão Preto, o atendimento especializado para dependência química é oferecido pelo CAPS AD, localizado na Rua Pará, 1310, no bairro Ipiranga. A unidade funciona em sistema de porta aberta, o que significa que qualquer pessoa pode procurar ajuda diretamente, sem necessidade de encaminhamento.
O serviço atende de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, com horário ampliado até 21h às segundas e quartas-feiras. A equipe é multidisciplinar e conta com psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais.
Nos casos mais leves ou em estágios iniciais, as unidades básicas de saúde também estão preparadas para oferecer acolhimento. Ribeirão Preto conta ainda com programas específicos para tabagismo.
Álcool e tabaco
Entre as substâncias que mais impactam a saúde pública, o álcool aparece como a principal preocupação. Apesar de drogas ilícitas também causarem danos severos, o consumo de álcool e tabaco tem maior alcance por se tratar de substâncias lícitas e amplamente aceitas socialmente.
Segundo Marcus Vinícius, a permissividade cultural em relação ao álcool contribui para que o consumo excessivo seja frequentemente normalizado, principalmente em contextos sociais como festas e comemorações.
O coordenador reforça que a dependência química deve ser encarada como uma doença, e não como falha moral ou de caráter. Para ele, o primeiro passo é romper o estigma e entender que buscar ajuda é essencial.



