O envelhecimento e a forma como a sociedade encara a velhice são os temas centrais do livro “Quando eu era velha”, da escritora Fernanda Pompeu. Em entrevista à CBN, a autora explicou que o título nasceu de uma provocação sobre a maneira como as pessoas costumam falar do passado, usando expressões como “quando eu era criança” ou “quando eu era jovem”, mas raramente imaginam um período posterior à velhice.
Segundo a escritora, a expectativa de vida mudou nas últimas décadas, transformando também a forma de envelhecer. Ela lembra que a velhice vivida por gerações anteriores era diferente da atual e defende que ser velho significa, acima de tudo, ter vivido muitos anos e acumulado experiências.
Novo olhar
Fernanda Pompeu afirma que o envelhecimento traz desafios físicos, como dores, limitações e problemas de saúde, mas também oferece ganhos importantes. Para ela, um dos principais benefícios dessa fase é a sensação de liberdade para fazer escolhas e expressar opiniões com mais segurança.
A autora destaca que muitas decisões acabam sendo tomadas com mais convicção ao longo da vida, justamente pela experiência acumulada. Como exemplo, cita a decisão de fazer tatuagens já depois dos 60 anos, quando tinha certeza do que desejava.
Olhar social
Durante a entrevista, a escritora também refletiu sobre como a percepção da velhice costuma surgir a partir da forma como os outros passam a enxergar a pessoa. Segundo ela, expressões do cotidiano e mudanças na maneira como é tratada revelam esse processo de envelhecimento.
Leia também
Outro aspecto abordado foi o sentimento de invisibilidade enfrentado por muitos idosos. Para Fernanda, esse é um dos pontos mais difíceis do envelhecimento, já que, em algumas situações, pessoas mais jovens deixam de perceber ou considerar a presença dos mais velhos.
Romance
Apesar de abordar um tema presente no cotidiano, “Quando eu era velha” não é um livro de autoajuda nem um guia sobre envelhecimento. A obra é um romance protagonizado por Olívia, uma jornalista aposentada convidada a escrever um livro sobre a velhice.
Ao longo da narrativa, a personagem conversa com pessoas de diferentes idades e busca compreender o que significa envelhecer. Segundo Fernanda Pompeu, a história não pretende ensinar como viver essa fase, mas provocar reflexões sobre liberdade, experiência e a forma como cada pessoa constrói sua própria relação com o tempo.



