O preconceito ainda é um dos principais fatores que afastam pessoas LGBTQIAPN+ dos serviços de saúde. O receio de sofrer discriminação durante o atendimento faz com que muitos deixem de procurar acompanhamento médico ou até omitam informações importantes, comprometendo a prevenção, o diagnóstico e o tratamento de doenças.
O alerta é da assistente social Luana Silva, do Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim (Cejan). Segundo ela, apesar dos avanços na criação de leis e políticas voltadas ao atendimento dessa população, ainda há necessidade de ampliar a capacitação dos profissionais para oferecer um acolhimento mais humanizado.
Acolhimento
De acordo com a assistente social, muitas pessoas LGBTQIAPN+ evitam até mesmo solicitar o uso do nome social por medo de enfrentar olhares preconceituosos ou situações de constrangimento durante o atendimento.
Ela ressalta que o respeito ao nome social é um direito, independentemente de o documento civil ter sido retificado. Para isso, é necessário que os serviços de saúde e seus sistemas estejam preparados para garantir esse atendimento de forma respeitosa.
Capacitação
Luana destaca que a criação de serviços especializados representa um avanço, como a proposta anunciada em Ribeirão Preto para concentrar atendimentos multiprofissionais voltados à população LGBTQIAPN+. No entanto, ela afirma que o atendimento humanizado deve estar presente em toda a rede de saúde.
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Segundo a especialista, não basta oferecer um espaço específico. É preciso que unidades básicas, hospitais e demais serviços estejam preparados para acolher essa população com respeito e sem discriminação.
Impactos
A assistente social explica que a falta de acolhimento pode comprometer diretamente a assistência em saúde. Quando profissionais desconhecem aspectos relacionados à orientação sexual, identidade de gênero ou às particularidades de cada paciente, informações importantes podem deixar de ser compartilhadas, dificultando diagnósticos e condutas adequadas.
Além disso, a exposição constante ao preconceito pode provocar impactos físicos e emocionais, como ansiedade, depressão, estresse crônico e insônia, afastando ainda mais essa população dos cuidados preventivos. Para Luana Silva, garantir atendimento digno e respeitoso é uma responsabilidade de toda a sociedade e dos serviços de saúde.



