A história da hipertensão no Brasil é tema do livro “Porque Tudo Muda”, recém-publicado pelo médico cardiologista Fernando Nobre, colunista do CBN Saúde. A obra apresenta uma cronologia das mudanças no conhecimento sobre a doença e relaciona os avanços na medicina ao contexto histórico, cultural e científico de cada período.
Segundo o cardiologista, no início do século XX acreditava-se que a pressão arterial deveria aumentar com a idade para compensar o enrijecimento dos vasos sanguíneos e manter a circulação e a oxigenação do organismo. Décadas depois, o entendimento mudou e o controle da pressão passou a ser considerado fundamental para evitar complicações.
Cenário brasileiro
Fernando Nobre classifica como “lamentável” o cenário de cuidado com a hipertensão. Um dos principais fatores apontados por ele é o fato de a doença não apresentar sintomas, o que pode dificultar a adesão ao tratamento, mesmo diante dos riscos associados à pressão elevada.
O médico cita a chamada “lei dos meios” para explicar o problema. De acordo com ele, de cada 100 pessoas hipertensas, 50 sabem que têm a doença. Dessas, 25 estão em tratamento e apenas metade desse grupo, ou seja, 12 ou 13 pessoas, está com a pressão em nível considerado ideal de controle.
O cardiologista também destaca a contribuição de Ribeirão Preto para o conhecimento mundial sobre a hipertensão. Segundo ele, na Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto foi descoberta, na década de 1970, uma substância capaz de inibir a formação de um hormônio determinante para a elevação da pressão.
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História da medicina
Fernando Nobre explica que a decisão de escrever o livro também está relacionada à própria trajetória profissional. Ao longo de décadas, ele esteve ligado à Faculdade de Medicina da USP, chefiou o serviço de hipertensão, deu aulas para diferentes gerações de médicos, estudou a doença e participou de eventos científicos.
Na obra, o autor relaciona as transformações no tratamento e no conhecimento sobre a hipertensão ao que acontecia no mundo em diferentes momentos históricos. Descobertas de medicamentos, por exemplo, são apresentadas em paralelo a acontecimentos da Segunda Guerra Mundial e a referências da música e da literatura.
Para o cardiologista, registrar essa trajetória permite compreender como o conhecimento foi construído e oferece uma perspectiva para o futuro. Ele também considera que o livro contribui para manter essa história registrada com precisão científica.



