Mais de três em cada dez brasileiros relatam sintomas de insônia, segundo levantamento do Ministério da Saúde. Diante da dificuldade para dormir, a melatonina tem sido procurada como alternativa para melhorar o sono. No entanto, especialistas alertam que a suplementação exige orientação profissional e não substitui a investigação das causas do problema.
A nutricionista Camila Colombo explica que a melatonina é um hormônio responsável por sinalizar ao organismo o momento de dormir, contribuindo para a regulação do ciclo circadiano. Segundo ela, a qualidade do sono está diretamente relacionada à saúde geral, influenciando o apetite, o metabolismo, a disposição para atividades físicas e a recuperação hormonal.
Um estudo brasileiro realizado por pesquisadores ligados à Universidade de São Paulo (USP) e ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP apontou que 60% dos adultos com sintomas de insônia avaliados utilizavam medicamentos para dormir. Desse grupo, cerca de 40% relataram uso sem prescrição médica.
Uso de melatonina
Camila Colombo alerta que a melatonina e os medicamentos para dormir têm ações diferentes e não devem ser utilizados em conjunto sem orientação profissional. A nutricionista ressalta que um produto não substitui o outro e que a escolha do tratamento deve considerar as necessidades de cada paciente.
A produção natural de melatonina também depende dos hábitos cotidianos. O hormônio é produzido pela glândula pineal, e a exposição à luz, principalmente à noite, pode reduzir ou inibir sua produção. O uso de celulares e televisores antes de dormir, por exemplo, pode prejudicar esse processo.
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Outro fator que interfere no descanso é o consumo de cafeína e bebidas energéticas no período da tarde e da noite. Segundo a nutricionista, o excesso de cafeína após as 16h pode dificultar o sono.
Qualidade
Além da orientação sobre o uso, a formulação dos suplementos também é um aspecto importante. O farmacêutico Gustavo Cadurim, que trabalha com desenvolvimento de formulações, explica que a melatonina é uma molécula quimicamente instável, que pode se degradar quando exposta à luz e ao oxigênio.
Por isso, a composição do produto precisa proteger a substância e manter sua estabilidade durante o período de validade. Segundo Cadurim, essa característica está relacionada à eficácia da formulação e à capacidade de oferecer o efeito esperado.
O farmacêutico também alerta que aumentar a dose por conta própria pode ser perigoso. A quantidade utilizada deve respeitar critérios de segurança e considerar o perfil de cada público, seguindo as orientações aplicáveis da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Higiene do sono
A experiência de Rômulo Petek mostra como a dificuldade para dormir pode afetar a rotina. Ele conta que já utilizou medicamentos para induzir o sono, mas continuava acordando durante a noite e tinha dificuldade para voltar a dormir. Também relatava ansiedade e interrupções frequentes do descanso.
Com o tempo, Rômulo mudou hábitos, deixou de beber e fumar e começou a praticar atividades físicas. Para Camila Colombo, medidas como essas devem ser priorizadas antes de recorrer à suplementação.
A chamada higiene do sono inclui reduzir a exposição à luz antes de dormir, evitar cafeína e energéticos no fim do dia e manter uma alimentação mais leve à noite. A nutricionista explica que a melatonina pode ser considerada em determinadas situações, mas reforça a importância de avaliar cada caso e buscar orientação profissional, especialmente quando a insônia persiste.
A recomendação é investigar as causas da dificuldade para dormir e adotar mudanças na rotina antes de utilizar suplementos ou medicamentos por conta própria.



