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Tabagismo pode aumentar em 60% o risco de infertilidade entre mulheres, aponta especialista

Cigarro também prejudica a qualidade dos espermatozoides e reduz as chances de sucesso em tratamentos de reprodução assistida
Tabagismo
Foto: Africa images

O tabagismo pode comprometer a fertilidade de homens e mulheres, aumentar o tempo necessário para conseguir uma gravidez e reduzir as chances de sucesso em tratamentos de reprodução assistida. O alerta foi feito pela ginecologista e especialista em reprodução humana Rebecca Pontelo, em entrevista à CBN Ribeirão Preto.

Segundo a médica, estudos da Sociedade Americana de Reprodução apontam que mulheres fumantes têm um aumento de aproximadamente 60% no risco de infertilidade. O cigarro também pode acelerar o envelhecimento reprodutivo e antecipar a menopausa de um a quatro anos, dependendo da exposição ao tabaco.

Além disso, o tabagismo está associado ao aumento do risco de aborto e de gravidez ectópica, quando a gestação acontece fora do útero. Nos homens, o hábito pode prejudicar a qualidade do sêmen e aumentar as lesões no DNA dos espermatozoides.

Fertilidade do casal

De acordo com Rebecca Pontelo, alguns efeitos do tabagismo podem melhorar após a interrupção do hábito, mas não existe um prazo definido para a recuperação da saúde reprodutiva. Por isso, a recomendação é parar de fumar o quanto antes, sem esperar um período específico antes de começar a tentar engravidar.

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A especialista também ressalta que a investigação da infertilidade deve envolver os dois parceiros. Segundo ela, cerca de 30% dos casos estão relacionados a fatores femininos e outros 30% a fatores masculinos. Por isso, a avaliação não deve se concentrar apenas na mulher, e o histórico de tabagismo de ambos precisa ser considerado.

A exposição ao chamado fumo passivo também pode trazer consequências para a fertilidade. A médica explica que pessoas que convivem com fumantes podem sofrer efeitos reprodutivos relacionados à fumaça, mesmo sem fumar diretamente.

Reprodução assistida

O tabagismo também pode prejudicar os resultados de tratamentos de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV). Segundo a especialista, estimativas citadas por sociedades de reprodução indicam que casais fumantes podem precisar de quase o dobro de tentativas de FIV para conseguir uma gravidez, em comparação com casais não fumantes.

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Os estudos mencionados pela médica também apontam uma taxa de nascidos vivos 15% menor e uma taxa de gravidez clínica 18% menor entre fumantes. A gravidez clínica é aquela confirmada por ultrassom, quando é possível visualizar o embrião e identificar os batimentos cardíacos.

Rebecca Pontelo alerta que esses resultados precisam ser considerados por quem está planejando iniciar um tratamento. Além do investimento financeiro, a dificuldade para engravidar pode envolver desgaste emocional para o casal.

Cigarro eletrônico

O cigarro eletrônico também exige atenção. De acordo com a médica, ainda não há evidências científicas conclusivas que permitam afirmar que o dispositivo apresenta exatamente os mesmos riscos do cigarro convencional para a fertilidade. No entanto, isso não significa que seja uma alternativa segura.

Estudos experimentais indicam possíveis efeitos do cigarro eletrônico sobre a função ovariana, mas os dados ainda não são suficientes para estabelecer conclusões definitivas. A especialista ressalta que a troca do cigarro tradicional pelo eletrônico modifica a exposição a algumas substâncias, mas não elimina as preocupações com a saúde reprodutiva.

A orientação da médica para casais que desejam ter filhos, seja por concepção natural ou por tratamento, é interromper o tabagismo o quanto antes. Ela recomenda buscar ajuda profissional para abandonar o hábito e destaca que a medida pode beneficiar tanto a saúde geral quanto a reprodutiva dos futuros pais.

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