Motoristas de todo o país já estão abastecendo com a nova composição da gasolina. Desde o último sábado (1º), a mistura de etanol anidro passou de 30% para 32%, conforme determinação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A medida terá validade inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação por igual período.
Segundo o governo, a mudança busca reduzir os impactos das oscilações nos preços dos combustíveis provocadas pela instabilidade no Oriente Médio. Especialistas, no entanto, orientam que proprietários de veículos mais antigos fiquem atentos ao comportamento do motor.
Cuidados
De acordo com o mecânico Márcio Rafael Vida, o aumento da proporção de etanol pode provocar alterações no funcionamento de alguns veículos, principalmente os mais antigos.
Entre os possíveis efeitos estão o acendimento da luz de injeção eletrônica, perda de potência, falhas no motor, aumento do consumo de combustível e desgaste de componentes do sistema de alimentação.
A recomendação é manter a revisão do veículo em dia e observar qualquer mudança no desempenho após os abastecimentos.
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Questionamentos
O Ministério Público Federal ajuizou, no mês passado, uma ação civil pública pedindo a suspensão da medida. O órgão argumenta que não houve estudos conclusivos sobre os impactos da nova mistura, como aumento do consumo, corrosão e desgaste de componentes dos veículos, além de possíveis efeitos ambientais.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) também havia defendido a realização de mais estudos antes da implementação da mudança, especialmente em relação à compatibilidade da nova mistura com veículos importados e modelos mais antigos.
Impacto econômico
Segundo o economista Luciano Nakabashi, o aumento da mistura tende a ter pouco efeito direto para o consumidor.
Ele explica que a gasolina pode ficar ligeiramente mais barata, já que o etanol tem custo inferior, mas o consumo do veículo também pode aumentar devido à menor eficiência energética do etanol, fazendo com que um efeito praticamente compense o outro.
Nakabashi destaca que o principal impacto da medida está na redução da necessidade de importação de gasolina e no aumento da demanda pelo etanol, o que beneficia o setor sucroenergético.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) informou que o setor tem capacidade para atender à demanda adicional e avalia que a medida pode ampliar o uso de combustível renovável produzido no Brasil.
Adaptação
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) estabeleceu um período de transição para a comercialização dos estoques antigos.
As distribuidoras terão até 15 dias para se adequar à nova regra, enquanto os postos de combustíveis poderão comercializar os estoques anteriores por até 30 dias, prazo que também vale para a região de Ribeirão Preto.



