Um motociclista de 20 anos esperou cerca de 12 horas para ser transferido da UPA Oeste para a Santa Casa de Ribeirão Preto, mesmo com a vaga de internação liberada ainda na noite de terça-feira (27). Ricardo Leandro Rodriguez sofreu uma fratura na bacia após ser atingido por um carro enquanto trabalhava como entregador no bairro Ipiranga, na zona norte da cidade.
A demora na transferência foi denunciada pela mãe do jovem, Daniela Borges. Segundo ela, o filho passou horas com dor à espera de uma ambulância. Ricardo só chegou à Santa Casa na manhã de quarta-feira (28), pouco antes das 11h.
Acidente
O acidente aconteceu por volta das 18h30 de terça-feira, na Rua Espírito Santo, no bairro Ipiranga. De acordo com a família, Ricardo seguia de moto para atender um cliente quando foi atingido por um carro de uma empresa de internet. O motorista se preparava para fazer uma conversão e entrar na garagem de uma casa.
Uma câmera de segurança registrou a batida. Com o impacto, o motociclista foi arremessado para a calçada e sofreu uma fratura na bacia. Ele foi socorrido e levado para a UPA Oeste, onde passou por exames e aguardou uma vaga para internação na Santa Casa.
Daniela afirmou que a vaga foi liberada às 22h37 de terça-feira, mas o filho continuou na unidade até a manhã seguinte. Ela também relatou que Ricardo ficou horas sem receber medicação e disse ter visto ambulâncias do Samu chegarem à UPA e saírem sem transportar pacientes que aguardavam transferência.
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Prefeitura
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que Ricardo chegou à UPA Oeste por volta das 19h de terça-feira. Segundo a prefeitura, ele recebeu a medicação necessária e passou por exames, incluindo um raio X que identificou a fratura na bacia. A secretaria afirmou que solicitou imediatamente uma vaga de internação em caráter de urgência e que a transferência ocorreu assim que a vaga ficou disponível na Santa Casa.
Sobre as ambulâncias do Samu que, segundo a mãe, estavam na UPA, a prefeitura explicou que esses veículos são exclusivos para atendimentos de urgência e emergência. De acordo com a secretaria, eles precisam permanecer disponíveis para novas ocorrências e não podem ser utilizados em transferências entre unidades de saúde.
A prefeitura acrescentou que, após atendimentos de emergência, as ambulâncias precisam passar por higienização. Segundo a secretaria, o transporte entre unidades é responsabilidade do Serviço de Atendimento Móvel de Inter-hospitalar (SAMI). Foi uma ambulância desse serviço que levou Ricardo à Santa Casa na manhã de quarta-feira.
Empresa
Procurada, a empresa de internet responsável pelo carro envolvido no acidente informou que, segundo o motorista, ele sinalizou a conversão para entrar na garagem, mas não conseguiu evitar a colisão.
A empresa afirmou que o funcionário permaneceu no local, prestou socorro e acionou a ambulância e a Polícia Militar. Também declarou que orienta os prestadores de serviço sobre segurança no trânsito e se colocou à disposição para ajudar a família, inclusive com os prejuízos materiais e de saúde decorrentes do acidente.
Ricardo já está na Santa Casa, mas a espera de cerca de 12 horas para a transferência levantou questionamentos da família sobre o tempo necessário para esse tipo de transporte, especialmente porque, segundo a mãe, a vaga de internação havia sido liberada ainda na noite anterior.



