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Mulheres são maioria entre eleitores, mas representam minoria das candidaturas na região

Participação feminina nas eleições de 2026 caiu em relação a 2022, segundo levantamento apresentado pela CBN Ribeirão Preto
Mulheres
Roberto Jayme/Ascom/TSE

As mulheres são maioria entre os eleitores da região, mas ainda representam uma parcela menor das candidaturas nas eleições de 2026. Na disputa por vagas na Câmara dos Deputados, elas correspondem a 20% das candidaturas. Para a Assembleia Legislativa, o percentual chega a 36%.

Os números também apontam redução da participação feminina em relação às eleições de 2022. Segundo os dados apresentados, houve queda de 7% nas candidaturas para deputada federal e de 3% entre as candidaturas para deputada estadual.

Para Flávia Peres, presidente da OAB Mulher de Ribeirão Preto, a baixa participação feminina está relacionada a obstáculos históricos enfrentados pelas mulheres na conquista de espaços de poder e representação política.

Obstáculos

Segundo Flávia, mulheres ainda enfrentam um contexto social que questiona a capacidade delas para exercer funções de comando e destaque. Ela também aponta dificuldades dentro dos próprios partidos, como a indicação para posições de maior evidência e a falta de condições para disputar eleições em igualdade com os homens.

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Outro obstáculo citado pela presidente da OAB Mulher é o acesso aos recursos destinados às campanhas. De acordo com ela, embora existam o fundo eleitoral e o fundo partidário, é necessário garantir fiscalização para que as candidatas tenham acesso aos recursos durante o período eleitoral.

A entrevistada também destaca a chamada assimetria de gênero. Mulheres que são mães, por exemplo, podem enfrentar jornadas de trabalho que se somam às responsabilidades familiares, o que representa uma dificuldade adicional para quem decide ingressar na política.

Violência política

Flávia Peres também chama atenção para a violência política de gênero como um fator que pode afastar mulheres da vida pública. Segundo ela, esse tipo de violência pode ocorrer por meio da exposição da vida íntima de mulheres nas redes sociais, montagens com conteúdo sexual, divulgação de falas que não foram feitas e interrupções ou descredibilização durante o exercício do cargo.

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Calúnias e difamações também são apontadas pela presidente da OAB Mulher como condutas que podem prejudicar a atuação das mulheres na política e tolher o exercício de suas funções.

Para Flávia, garantir uma porcentagem mínima de candidaturas femininas não significa assegurar representatividade no Legislativo. Ela defende que as cotas sejam vistas como um piso, e não como um teto, com o objetivo de ampliar a participação de mulheres e de outros grupos na política.

Participação

A presidente da OAB Mulher também afirma que mudanças precisam ocorrer dentro dos partidos para que a participação feminina não fique restrita ao cumprimento das cotas, mas resulte em mais mulheres efetivamente eleitas.

Ao falar sobre mulheres que pretendem ingressar na política, Flávia destaca a necessidade de continuar defendendo direitos e participando dos processos democráticos. Para ela, o voto também é uma forma de atuação das mulheres na defesa de seus direitos.

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