A atualização da Norma Regulamentadora 1 (NR1), que amplia a fiscalização sobre a saúde mental no ambiente de trabalho, entrou em vigor nesta quarta-feira (27). A nova regulamentação aumenta a responsabilidade das empresas na prevenção de riscos psicossociais e estabelece medidas obrigatórias para proteção psicológica dos trabalhadores.
O debate ganhou força após o Brasil registrar mais de meio milhão de afastamentos por transtornos mentais em 2025. A neuropsicóloga Jéssica Fulioto destacou, em entrevista à CBN Ribeirão, que a norma passa a exigir das empresas uma atuação mais efetiva diante de problemas como assédio moral, sobrecarga, estresse excessivo e jornadas desgastantes.
Saúde mental
Segundo a especialista, pela primeira vez a saúde mental entra de forma mais consolidada nas discussões sobre segurança do trabalho. A NR1 passa a reconhecer oficialmente os chamados riscos psicossociais no ambiente corporativo, obrigando empresas a identificarem e combaterem situações que possam adoecer emocionalmente os funcionários.
Entre os fatores considerados estão pressão constante, metas inalcançáveis, jornadas abusivas e ambientes de trabalho tóxicos. A nova norma também exige monitoramento contínuo, canais de comunicação internos e treinamento de lideranças para evitar práticas abusivas.
Jéssica afirma que a regulamentação representa uma mudança cultural nas relações de trabalho. Segundo ela, será necessário encontrar equilíbrio entre as necessidades das empresas e a preservação da saúde mental dos colaboradores.
Riscos psicossociais
A Organização Internacional do Trabalho estima que mais de 840 mil pessoas morram todos os anos em decorrência de problemas psicossociais relacionados ao trabalho. Entre os principais fatores estão excesso de carga horária, assédio, insegurança profissional e desgaste emocional contínuo.
A especialista explicou que a discussão sobre a NR1 também dialoga com debates sobre jornadas de trabalho, como a escala 6×1, frequentemente associada ao aumento da exaustão e dos casos de burnout.
Ela reforçou que o foco da norma deixa de ser apenas o indivíduo e passa a incluir o ambiente organizacional como fator determinante para a saúde emocional dos trabalhadores.
Fiscalização
Além de implementar medidas preventivas, as empresas precisarão demonstrar ações concretas de enfrentamento aos problemas identificados. O descumprimento da norma poderá resultar em fiscalizações e aplicação de multas.
A neuropsicóloga destacou ainda que profissionais especializados já começam a atuar junto às empresas para auxiliar na adaptação às novas exigências da NR1.



