O número de pessoas que moram sozinhas em Ribeirão Preto mais que dobrou nos últimos 12 anos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a quantidade de domicílios com apenas um morador passou de pouco mais de 27 mil, em 2010, para mais de 56 mil em 2022.
A mudança acompanha transformações no perfil da população, influenciadas por fatores como mobilidade profissional, busca por independência e novos projetos de vida. Os reflexos já são percebidos tanto nos hábitos da sociedade quanto no mercado imobiliário da cidade.
Mudança social
Segundo o sociólogo Vmir Souza, o crescimento desse tipo de moradia está relacionado a mudanças na forma como as pessoas organizam a vida pessoal e profissional.
De acordo com ele, Ribeirão Preto funciona como um polo de atração de trabalhadores, o que contribui para o aumento da procura por imóveis menores. Paralelamente, construtoras e imobiliárias passaram a investir em apartamentos compactos, como estúdios e unidades de um ou dois quartos, acompanhando as novas demandas da população.
Vmir destaca ainda que os projetos profissionais passaram a ocupar um papel central na vida das pessoas, enquanto a formação de uma família nos moldes tradicionais deixou de ser uma exigência social tão forte quanto em décadas anteriores.
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Novos formatos
De olho nessa demanda crescente, o mercado imobiliário tem desenvolvido novos modelos de moradia. Um dos exemplos é o chamado coliving, formato que combina apartamentos compactos com áreas compartilhadas voltadas à convivência entre os moradores.
Segundo o diretor de uma construtora, Marcelo Monteiro, além das unidades residenciais menores, esses empreendimentos contam com espaços coletivos e gestão voltada para incentivar a interação entre os residentes.
Para ele, a procura está diretamente ligada às mudanças demográficas e aos diferentes momentos de vida das pessoas, como separações, mudanças de cidade, novas oportunidades de emprego e a saída da casa dos pais.
Busca por praticidade
O arquiteto Marcos Vasques faz parte desse grupo de pessoas que optaram por uma moradia individual. Ele adquiriu um estúdio de 28 metros quadrados em Ribeirão Preto para facilitar a rotina de trabalho.
Além do apartamento, ele destaca a praticidade proporcionada pela estrutura compartilhada do empreendimento, que oferece serviços e espaços de uso comum, como lavanderia, áreas para refeições e opções de limpeza.
Atualmente, quase dois em cada dez domicílios brasileiros possuem apenas um morador. A tendência segue em crescimento e já influencia a forma como as cidades se desenvolvem e como o mercado imobiliário planeja seus novos empreendimentos.



