O aumento do excesso de peso entre crianças e adolescentes tem gerado alerta para famílias e profissionais de saúde. Em Ribeirão Preto, uma estimativa municipal de 2022 aponta que cerca de 60 mil crianças entre 5 e 11 anos estejam com obesidade, reforçando a importância da prevenção, do diagnóstico e do tratamento ainda na infância.
Em entrevista à CBN, o cirurgião pediátrico Evandro Luiz da Cunha Oliveira destacou que a obesidade deve ser tratada como uma doença crônica e que o excesso de peso na infância pode permanecer durante a adolescência e a vida adulta. Segundo ele, doenças relacionadas à obesidade também estão aparecendo cada vez mais cedo.
Sinais de alerta
De acordo com o médico, a avaliação do peso pode começar com o acompanhamento feito na caderneta da criança e com o índice de massa corporal, embora o cálculo não seja considerado totalmente preciso. Em caso de dúvida sobre o peso, a orientação é procurar um profissional de saúde para avaliação e acompanhamento.
O especialista também destacou que a obesidade é multifatorial e pode envolver fatores emocionais, ambientais e familiares. Por isso, o tratamento não deve ser direcionado apenas à criança, mas envolver as pessoas que convivem com ela e os hábitos adotados dentro de casa.
Alimentação e atividade
O médico apontou o aumento do tempo diante das telas e a mudança de hábitos após a pandemia como fatores de preocupação. Segundo ele, é importante incentivar as crianças a frequentarem praças, praticarem esportes e brincarem em ambientes abertos.
Leia também
A alimentação também é considerada um ponto de atenção. O especialista destacou o consumo elevado de alimentos ultraprocessados e defendeu a priorização de alimentos in natura e o retorno de hábitos como cozinhar em casa e envolver as crianças na preparação das refeições.
Tratamento médico
Segundo Evandro, a obesidade infantil pode estar associada a problemas como diabetes, hipertensão, alterações articulares e problemas hepáticos. Ele citou ainda casos de complicações cardiovasculares em crianças relacionados à doença.
Sobre as chamadas canetas emagrecedoras, o médico explicou que existem estudos sobre o uso desses medicamentos em crianças, mas ressaltou que eles não são isentos de efeitos colaterais e devem ser utilizados com acompanhamento médico e prescrição adequada. Segundo ele, as doses para crianças são inferiores às utilizadas por adultos.
O especialista também reforçou que pequenas mudanças de hábitos podem produzir resultados importantes a longo prazo. A recomendação é estimular uma rotina com alimentação mais saudável e atividades físicas, sem buscar uma perda de peso rápida. Segundo ele, a redução deve ocorrer de forma gradual e acompanhada por profissionais.



