O Ministério Público de São Paulo deflagrou nesta quarta-feira (6) a segunda fase da operação Temis, em Ribeirão Preto, com o objetivo de desarticular um esquema de fraudes judiciais e financeiras. A ação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Polícia Civil.
Segundo as investigações, o grupo atuava de forma estruturada e em larga escala, utilizando dados de pessoas, principalmente em situação de vulnerabilidade, para ajuizar ações judiciais sem o conhecimento delas. Em muitos casos, as vítimas sequer sabiam que tinham processos em seus nomes.
Mandados cumpridos
Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 20 de busca e apreensão em Ribeirão Preto e também na cidade de Igarapava. Entre os alvos estão cinco advogados e uma mulher ligada a um dos investigados.
A Justiça também determinou a suspensão do exercício da advocacia dos profissionais investigados, impedindo que atuem durante o andamento das investigações. Além disso, empresas apontadas como parte do esquema tiveram as atividades suspensas.
Durante a operação, veículos de luxo foram apreendidos e levados à Central de Polícia Judiciária. As equipes também recolhem celulares, computadores e documentos para aprofundar as investigações.
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Esquema investigado
De acordo com o Ministério Público, o grupo utilizava empresas de fachada para captar pessoas e obter dados pessoais, como RG e CPF. Com essas informações, eram ajuizadas ações em grande quantidade, muitas vezes com indícios de falsificação de documentos.
As investigações apontam que milhares de processos foram distribuídos em diversas comarcas do estado e até em outras regiões do país. O volume elevado teria causado congestionamento no Judiciário e prejuízos a instituições financeiras, órgãos públicos e cidadãos.
A Justiça autorizou ainda o bloqueio de até R$ 25 milhões em bens dos investigados, incluindo contas bancárias, imóveis, veículos e ativos financeiros, para garantir eventual ressarcimento às vítimas.
Investigações seguem
As equipes do Gaeco e da Polícia Civil continuam nas ruas cumprindo mandados, inclusive em um escritório de advocacia na zona leste e em um prédio na região central de Ribeirão Preto.
O sigilo do caso foi retirado após o cumprimento das medidas, permitindo a divulgação das informações. As autoridades afirmam que o objetivo é identificar todos os envolvidos e dimensionar os prejuízos causados pelo esquema.
A operação é um desdobramento de investigações anteriores que já apontavam a atuação do grupo em fraudes com uso indevido de dados pessoais.



