Documentos obtidos durante a segunda fase da Operação Temis revelaram como advogados investigados em Ribeirão Preto teriam fraudado ações judiciais utilizando dados e assinaturas falsas de idosos, muitos deles sem saber da existência dos processos. A investigação apura crimes como organização criminosa, estelionato, falsidade ideológica, fraude processual, lavagem de dinheiro e violação de sigilo de dados.
Entre os presos está o advogado Klaus Philipp Lodoli, apontado pelo Ministério Público como líder do esquema. Ele foi detido em casa na manhã de quarta-feira (6). No escritório dele, policiais apreenderam documentos e materiais que passarão por análise. Segundo as investigações, Klaus teve o registro profissional cassado em 2018, após já ter sido alvo da primeira fase da Operação Temis.
Esquema investigado
De acordo com o Ministério Público, o grupo utilizava dados de clientes bancários para ajuizar ações sem autorização das vítimas. Em muitos casos, os envolvidos sequer sabiam que tinham processos em andamento em seus nomes. Quando havia decisões favoráveis, os valores obtidos eram apropriados pelos integrantes do esquema.
A investigação aponta que, mesmo após a primeira fase da operação, o grupo teria mantido a prática criminosa. A suspeita é de que duas financeiras administradas por Dayana Cristina Rosa, esposa de Klaus Lodoli, fossem usadas para captar dados pessoais das vítimas.
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Também foram presos os advogados Rafael de Jesus Moreira, Carine Costa Silva Araújo e Carlos Renato Lira Buose. Segundo o Ministério Público, eles atuariam em nome de Klaus, que estava impedido de exercer a advocacia.
Ações suspeitas
O Ministério Público afirma ter identificado milhares de processos distribuídos em diversas comarcas do país. Apenas entre outubro de 2022 e setembro de 2024, foram mais de 10.700 ações protocoladas em nome de Rafael de Jesus Moreira.
Segundo os investigadores, o volume de processos seria incompatível com a atuação individual de um advogado e exigiria estrutura equivalente à criação de pelo menos três varas cíveis.
As investigações também apontam o uso de assinaturas falsificadas, principalmente de idosos aposentados e pessoas em situação de vulnerabilidade. Em um dos relatos anexados ao processo, um oficial de Justiça descreveu a situação de uma vítima idosa, doente e dependente de oxigênio.
Bloqueio milionário
A Justiça autorizou o bloqueio de R$ 25 milhões em contas bancárias, imóveis, veículos e bens ligados aos investigados e às empresas citadas no esquema. O valor total dos prejuízos ainda é calculado pelas autoridades.
O presidente da Comissão de Prerrogativas da OAB, Paulo Martins Cazon, acompanhou o cumprimento dos mandados envolvendo os advogados investigados. Segundo ele, a Ordem irá apurar a conduta dos profissionais que seguem com registro ativo.
Um dos presos, Carlos Renato Lira Buose, afirmou à imprensa que é inocente e disse que pretende provar isso durante o andamento das investigações.
A defesa de Carlos Renato informou que irá demonstrar a inocência do advogado. Já os representantes de Dayana Cristina Rosa, Karine Costa Silva Araújo, Rafael de Jesus Moreira, Klaus Philip Lodoli e Donizete Gomes da Silva não se manifestaram sobre a operação.



