Pesquisadores do Departamento de Genética da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto investigam o potencial antifúngico da sertralina, medicamento amplamente utilizado no tratamento de depressão, ansiedade e síndrome do pânico. Os resultados da pesquisa foram reunidos em um artigo publicado em uma importante revista científica internacional.
O estudo mostrou que a sertralina interfere simultaneamente em diferentes processos celulares dos fungos, desequilibrando seu funcionamento. Na prática, esse mecanismo compromete a sobrevivência dos microrganismos, indicando potencial para combater infecções fúngicas.
Ação antifúngica
Segundo a pesquisadora de pós-doutorado Mayara Ítala Geronimo de Azevedo, a sertralina demonstrou ação contra diferentes fungos de relevância hospitalar, microrganismos capazes de causar infecções graves e até levar pacientes à morte.
A descoberta amplia o interesse científico em torno do medicamento, já que ele pode representar uma alternativa complementar no combate a infecções fúngicas, especialmente em ambientes hospitalares.
A pesquisa integra um projeto apoiado pela FAPESP e ainda está em fase de aprofundamento, com necessidade de novos testes antes de uma possível aplicação clínica específica.
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Próximos estudos
Embora os resultados laboratoriais sejam promissores, a pesquisadora destaca que ainda são necessários novos estudos em modelos animais e, posteriormente, em humanos.
Segundo Mayara, outros laboratórios ao redor do mundo já observaram efeitos semelhantes da sertralina contra diferentes fungos, mas os testes clínicos em humanos ainda são limitados e não avançaram de forma significativa.
Um dos principais pontos a serem estudados é a dosagem ideal. Como a sertralina é usada como psicotrópico em doses relativamente baixas, pode ser que concentrações maiores sejam necessárias para eliminar fungos com eficácia.
Uso combinado
O interesse no potencial antifúngico da sertralina surgiu após observações clínicas feitas há cerca de 20 anos. Pacientes em tratamento psiquiátrico com o medicamento apresentaram redução em casos recorrentes de candidíase.
Além do uso isolado, a pesquisa também sugere a possibilidade de combinar a sertralina com antifúngicos já utilizados em hospitais. Isso poderia permitir a redução das doses de ambos os medicamentos.
Essa estratégia seria especialmente relevante porque alguns antifúngicos tradicionais provocam efeitos adversos importantes. Com doses menores, os pacientes poderiam manter a eficácia do tratamento com menor risco de complicações.
A pesquisadora também aponta potencial para uso tópico, especialmente em infecções fúngicas de pele, o que pode abrir novas possibilidades terapêuticas.
Segundo Mayara, uma vantagem desse tipo de estudo é que a sertralina já é um medicamento conhecido e seguro para uso humano, o que pode acelerar futuras aplicações caso sua eficácia antifúngica seja confirmada em novas etapas de pesquisa.



