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Pesquisa da USP de Ribeirão Preto testa ibogaína contra abuso de álcool

Estudo preliminar avalia segurança e possíveis efeitos da substância em pacientes com transtorno por uso de álcool
pesquisa
Reprodução/Hospital Santa Mônica

Uma pesquisa conduzida no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP, testa o uso da ibogaína no tratamento de pessoas com transtorno por uso de álcool. O estudo é considerado preliminar e envolve nove voluntários que participaram dos testes em ambiente hospitalar controlado.

Os pesquisadores observaram mudanças no padrão de consumo de álcool dos participantes, mas reforçam que os resultados ainda são iniciais e exigem novas análises antes de qualquer conclusão sobre eficácia e segurança da substância.

Estudo preliminar

A pesquisa foi desenvolvida como um estudo piloto para avaliar principalmente a segurança da administração da ibogaína em ambiente hospitalar. O trabalho foi conduzido no âmbito de um projeto de doutorado ligado ao programa de pós-graduação em saúde mental da USP de Ribeirão Preto.

Segundo os pesquisadores, apesar de existirem relatos sobre possíveis benefícios da substância, ainda há poucos estudos científicos controlados sobre o tema. Os voluntários participaram do estudo sob monitoramento médico constante, permitindo a análise dos efeitos da substância em condições controladas.

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Como age

A ibogaína é uma substância psicoativa extraída de uma planta originária da África Central e utilizada tradicionalmente em rituais de alguns países africanos. No estudo realizado em Ribeirão Preto, foi utilizado cloridrato de ibogaína com grau de pureza farmacêutica superior a 99%, produzido em laboratório especializado.

Os pesquisadores afirmam que ainda não há consenso científico sobre como a substância atua no organismo. Uma das hipóteses é que ela possa estimular a neuroplasticidade, favorecendo mudanças de comportamento e padrões de consumo. Outra teoria sugere alterações em conexões cerebrais ligadas à introspecção e à percepção crítica dos próprios comportamentos.

Riscos avaliados

Apesar dos resultados considerados promissores, os pesquisadores alertam para os possíveis riscos cardiovasculares associados ao uso da ibogaína. Durante o estudo, foram observadas alterações em parâmetros cardíacos dos participantes, embora nenhum deles tenha apresentado eventos adversos graves.

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Os pesquisadores reforçam que o estudo envolveu poucos participantes e que outros fatores, além da substância, podem ter influenciado na redução do consumo de álcool observada entre os voluntários. A equipe destaca ainda que a ibogaína não é aprovada como medicamento pela Anvisa e que qualquer uso da substância deve ocorrer exclusivamente em contexto científico e com monitoramento especializado.

Os pesquisadores pretendem ampliar os estudos com maior número de participantes e avaliar o uso de doses menores da substância em futuras pesquisas. Outro estudo já foi realizado em parceria com pesquisadores da Espanha para avaliar o uso da ibogaína em pacientes com dependência de metadona, apresentando resultados semelhantes em relação à redução do consumo e às alterações cardiovasculares. A expectativa é que novos estudos possam aprofundar o entendimento sobre os possíveis benefícios e riscos da substância no tratamento de dependências químicas.

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