Um surto suspeito de hantavírus registrado no fim de abril de 2026 durante um cruzeiro no Oceano Atlântico deixou três mortos e ao menos três pessoas com sintomas. O caso, divulgado pela imprensa internacional, mobiliza autoridades de saúde que investigam a origem da contaminação e monitoram passageiros e tripulantes.
A infectologista Silvia Fonseca explicou, em entrevista à CBN Ribeirão, que a hantavirose é considerada uma doença rara e normalmente associada a ambientes rurais ou silvestres. A transmissão costuma ocorrer pelo contato com secreções de roedores infectados, como urina, fezes e saliva.
Segundo a médica, o que mais chama atenção no episódio é o fato de a suspeita de surto ter ocorrido dentro de um navio de cruzeiro, situação considerada incomum para a doença. As investigações ainda tentam identificar se houve exposição coletiva ao vírus ou transmissão entre pessoas.
Hantavírus
Silvia explicou que os primeiros surtos conhecidos de hantavírus ocorreram nos Estados Unidos, após uma proliferação de roedores em áreas de reservas indígenas durante um período de seca. Na época, várias pessoas desenvolveram quadros pulmonares graves após contato com partículas contaminadas presentes no ambiente.
De acordo com a infectologista, o vírus é eliminado pelos roedores nas fezes e na urina. Quando esses resíduos secam, partículas podem ficar suspensas no ar e serem inaladas pelas pessoas. A médica ressaltou que a maior parte dos casos registrados no Brasil é esporádica e geralmente ligada a áreas rurais.
Leia também
Ela afirmou ainda que existem variantes do hantavírus capazes de transmissão entre pessoas, identificadas principalmente em regiões da América do Sul. No entanto, as causas do surto investigado no cruzeiro ainda são desconhecidas.
Casos graves
A infectologista destacou que os quadros mais graves acontecem quando o organismo reage de forma intensa ao vírus, provocando uma resposta inflamatória exagerada. Segundo ela, o processo é semelhante ao observado em alguns pacientes com Covid-19.
Essa reação pode comprometer pulmões, coração e rins, levando pacientes à terapia intensiva e ao uso de respiradores artificiais. Silvia Fonseca explicou que não existe um medicamento específico para eliminar o vírus e que o tratamento é baseado em suporte clínico enquanto o organismo tenta combater a infecção.
A médica ressaltou que a transmissão entre pessoas não é considerada fácil e que o principal risco continua sendo o contato com ambientes contaminados por secreções de roedores. Ela orientou cuidados em locais fechados, como paióis, ranchos e galpões que ficaram muito tempo sem ventilação.
Prevenção
Durante a entrevista, Silvia Fonseca afirmou que não existe vacina contra o hantavírus. Ela reforçou que o episódio investigado é raro e que não há motivo para pânico em relação a viagens de cruzeiro.
A médica também aproveitou para alertar sobre a baixa adesão à vacinação contra influenza. Segundo ela, a gripe continua sendo responsável por muitos casos graves e mortes no país, especialmente entre grupos de risco.
Outro ponto destacado foi o Dia Mundial da Higiene das Mãos, celebrado em 5 de maio. A infectologista recomendou o uso frequente de álcool em gel e a higienização das mãos após contato com superfícies compartilhadas, transporte público e antes das refeições.



