Pesquisadores do Hemocentro de Ribeirão Preto trabalham há cerca de dez anos no desenvolvimento de novas terapias para pacientes com leucemias e linfomas. O estudo mais recente busca aprimorar uma estratégia já utilizada contra esses tipos de câncer e criar uma alternativa para pessoas que estão muito debilitadas e não conseguem esperar o tempo necessário para a produção do tratamento.
A nova terapia utiliza células NK de um doador saudável, que são geneticamente modificadas em laboratório para combater as células tumorais. A proposta é criar uma espécie de terapia de “prateleira”, que possa estar disponível para uso sem a necessidade de aguardar a coleta e a manufatura de células do próprio paciente.
Além disso, os pesquisadores acrescentaram uma segunda modificação genética à célula. A estratégia utiliza o CAR, já empregado em terapias contra o câncer, associado a outra proteína que busca manter as células modificadas mais ativas e evitar que o ambiente do tumor bloqueie sua ação.
Nova terapia
Segundo Virgínia Picanço e Castro, coordenadora técnico-científica do Hemocentro de Ribeirão Preto, a terapia atual é produzida a partir das células do próprio paciente. O processo pode ser demorado e, em alguns casos, o estado de saúde da pessoa não permite esperar pela manufatura.
Na nova abordagem, as células são obtidas de um doador saudável e modificadas geneticamente. A expectativa é que essa característica permita disponibilizar o tratamento de maneira mais rápida para pacientes que não podem aguardar o processo de fabricação individualizado.
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A pesquisa também busca ampliar a atuação da terapia em casos mais agressivos. De acordo com a pesquisadora, alguns pacientes deixam de responder ao tratamento atual, o que levou a equipe a buscar uma segunda ferramenta para reforçar a ação das células modificadas contra os tumores.
Fase clínica
O estudo mais recente foi publicado em uma revista científica internacional e está na fase pré-clínica. A equipe agora trabalha na adaptação da produção para laboratórios que seguem boas práticas de fabricação, conforme as exigências da Anvisa.
Segundo Virgínia, uma equipe do Hemocentro atua há cerca de dois anos nessa etapa de adaptação. O objetivo é produzir as células dentro dos padrões necessários para que a terapia possa avançar para estudos clínicos nos próximos anos.
O Hemocentro também desenvolve uma pesquisa semelhante voltada para tumores sólidos. De acordo com a coordenadora, esse trabalho está em fase de publicação.
Estudos clínicos
O objetivo dos pesquisadores é buscar a eliminação das células tumorais e, consequentemente, a cura. Virgínia ressalta, porém, que leucemias e linfomas são doenças complexas e que nem todos os pacientes respondem aos tratamentos existentes da mesma maneira.
A nova estratégia é pensada especialmente para pessoas que não respondem adequadamente à terapia atual ou que não conseguem esperar pelo tempo de manufatura das células. A pesquisadora explica que a equipe também considera a possibilidade de respostas parciais, resistência ao tratamento e a necessidade de combinar diferentes terapias.
Atualmente, o Hemocentro de Ribeirão Preto mantém um estudo clínico aberto. Pacientes interessados em participar podem buscar as informações e os contatos disponíveis na página do Hemocentro. A instituição também reforça a importância da doação de sangue para o atendimento dos pacientes tratados no local.



