O consultor de agronegócio José Carlos de Lima Jr destacou, na coluna CBN Agronegócio, a expectativa do setor para o anúncio do Plano Safra 2026/2027, previsto para as próximas semanas. Segundo ele, uma das principais dúvidas do mercado envolve não apenas o volume de recursos que será disponibilizado, mas também as condições de crédito, especialmente em relação às taxas de juros e à capacidade do governo de sustentar os valores anunciados ao longo da vigência do programa.
Atualmente, o financiamento do agronegócio brasileiro tem sido cada vez mais sustentado por recursos livres, oferecidos por instituições financeiras com juros atrelados ao mercado. No Plano Safra 2025/2026, dos R$ 516 bilhões disponibilizados, cerca de 66% vieram dessa modalidade, enquanto os recursos controlados, que contam com subsídio governamental e juros menores, perderam participação. José Carlos ressaltou que, em 2019/2020, os recursos subsidiados representavam 72% do total, percentual que caiu praticamente pela metade nos últimos anos, expondo mais o produtor às oscilações do mercado financeiro e à alta da taxa Selic.
Para o consultor, a tendência é de que o novo Plano Safra mantenha essa estrutura, com predominância de crédito a juros de mercado e pouca novidade em relação a subsídios. Ele também alertou para limitações fiscais do governo, lembrando que recentes suspensões de linhas de financiamento e de recursos destinados ao seguro agrícola reforçam as incertezas sobre a execução do plano.
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