A Polícia Civil investiga as circunstâncias do confronto entre policiais militares e dois homens que morreram durante uma abordagem na Via Norte, em Ribeirão Preto. O inquérito deve reunir laudos periciais, exames do Instituto Médico Legal (IML), imagens de câmeras de segurança e análises das armas apreendidas para esclarecer a dinâmica da ocorrência.
Os homens foram identificados como Alexsandro Calisto Gomes, de 40 anos, e Vinicius de Jesus, de 32 anos. Segundo informações apuradas pela produção de jornalismo da CBN Ribeirão Preto, os dois tinham antecedentes criminais. A polícia também tenta identificar a origem do armamento encontrado no veículo em que eles estavam.
Após mensagens sobre possíveis represálias circularem na região, o comércio dos bairros Simioni e Quintino II, na zona norte, voltou a funcionar nesta quinta-feira (22). A Polícia Militar informou que não houve toque de recolher oficial e classificou as mensagens como boatos.
Antecedentes criminais
De acordo com a apuração da reportagem, Alexsandro tinha registros por tráfico de drogas, receptação, roubo e porte ilegal de arma. Vinicius, por sua vez, tinha registros por tráfico de drogas, roubo e latrocínio.
Vinicius chegou a ser investigado pela morte do subtenente do Corpo de Bombeiros Ricardo Luis Falqueto, em novembro de 2022, na região de Franca. No entanto, conforme as informações apuradas pela reportagem, ele foi afastado da investigação, e o caso foi arquivado em relação a ele. Vinicius não chegou a ser indiciado nem a responder judicialmente pela morte do policial.
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O delegado da Delegacia de Investigações Gerais (Deic) de Ribeirão Preto, José Carvalho de Araújo Júnior, afirmou que os dois homens tinham registros criminais. Segundo ele, a abordagem ocorreu após uma denúncia de que o veículo estaria transportando armas. A versão apresentada pela Polícia Militar sobre o confronto será analisada no decorrer das investigações.
Investigação policial
No local, a perícia recolheu 19 estojos de munição. Também foram apreendidas duas pistolas e duas submetralhadoras, que, segundo o delegado, apresentavam sinais de raspagem na numeração. A Polícia Civil espera que o trabalho pericial consiga recuperar a identificação do armamento e esclarecer sua procedência.
O inquérito foi instaurado pela Delegacia de Homicídios para apurar as circunstâncias das mortes. De acordo com José Carvalho de Araújo Júnior, os peritos vão analisar as armas, as munições e as imagens já levantadas, além de reunir os laudos periciais e os exames do IML.
Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que a viatura policial fica lado a lado com o veículo dos dois homens. Os registros também mostram motoristas e motociclistas tentando deixar o local durante os disparos. Algumas pessoas chegaram a trafegar na contramão da Via Norte para se afastar da ocorrência.
A investigação também deve esclarecer a dinâmica dos disparos e confrontar os elementos reunidos com as informações apresentadas pela Polícia Militar. Paralelamente, a versão dos policiais será apurada em investigação interna da Justiça Militar.
Comércio reabre
Depois do medo provocado pelas mensagens sobre possíveis represálias, comerciantes dos bairros Simioni e Quintino II retomaram as atividades nesta quinta-feira. No dia anterior, parte dos estabelecimentos havia fechado as portas, e moradores evitaram sair de casa.
A Polícia Militar reforçou que não houve determinação oficial de toque de recolher. Com a retomada da rotina nos bairros, as investigações sobre as mortes continuam sob responsabilidade da Polícia Civil.



