A Polícia Federal apresenta nesta quinta-feira (6) a conclusão do inquérito sobre a queda do avião da Voepass que matou 62 pessoas em Vinhedo, no interior de São Paulo. O relatório final da investigação deve apontar responsabilidades pelo acidente ocorrido em 9 de agosto de 2024.
A divulgação acontece às 14h, na sede da Polícia Federal, em São Paulo. A expectativa é de que o documento seja encaminhado ao Ministério Público Federal, que vai avaliar a possibilidade de apresentação de denúncias criminais contra os investigados.
Informações antecipadas apontam que a perícia identificou uma sequência de falhas operacionais e problemas recorrentes no sistema de degelo da aeronave. O equipamento apresentou falhas em voos anteriores, mas a aeronave continuou sendo utilizada.
Falha no degelo
Segundo a investigação, o alerta de falha no sistema de degelo apareceu no voo 2283, que caiu em Vinhedo, e também em pelo menos outros três voos anteriores. Os problemas, porém, não teriam sido registrados formalmente de forma que impedissem a continuidade das operações.
As gravações da cabine indicaram que os pilotos tinham conhecimento das falhas e chegaram a tentar reinicializar o sistema durante os voos. A perícia também apontou que procedimentos previstos pelo fabricante para situações de formação de gelo, perda de desempenho e recuperação de estol não foram executados no momento adequado.
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De acordo com a investigação, houve cerca de 20 segundos entre o alerta de aumento de velocidade e o início da sequência que levou a aeronave a perder sustentação e entrar em parafuso. Para os investigadores, ainda havia possibilidade de intervenção da tripulação nesse intervalo.
Responsabilidades
O laudo também apontou que, caso as falhas do sistema de degelo tivessem sido registradas corretamente em voos anteriores, a aeronave não poderia ter sido liberada para operar em condições de formação de gelo, como ocorreu no voo entre Cascavel e Guarulhos.
O documento da Polícia Federal tem quase 200 páginas e conclui que diversas barreiras de segurança deixaram de funcionar antes do acidente. A investigação também deve detalhar possíveis responsabilidades de pessoas envolvidas no caso.
O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), divulgado anteriormente, já havia apontado uma combinação de falhas da empresa, da tripulação e da fiscalização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) como fatores contribuintes para a tragédia.



