Ribeirão Preto ocupa a quinta colocação no ranking de mortes violentas entre as cidades do estado de São Paulo com mais de 300 mil habitantes. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Segundo o levantamento, a cidade registrou uma taxa de 7,9 mortes violentas para cada 100 mil habitantes. O índice é superior ao de São Bernardo do Campo, que aparece com 7,6, e da capital paulista, São Paulo, que tem taxa de 7,2.
O anuário considera como mortes violentas intencionais os homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais.
Crime organizado
Para o advogado especialista em segurança pública Gian Alves, parte do cenário registrado em Ribeirão Preto está relacionada à atuação do crime organizado e ao aumento de conflitos que terminam em mortes.
Segundo ele, discussões consideradas banais têm resultado em violência letal, em um contexto em que mais pessoas estão armadas. O especialista também afirma que cidades com presença histórica de organizações criminosas tendem a apresentar índices maiores de mortes violentas.
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Gian Alves destaca ainda que dificuldades estruturais, principalmente na Polícia Civil, podem prejudicar tanto a investigação quanto o esclarecimento dos crimes.
Mudança no perfil
O promotor de Justiça Marcos Túlio Nicolino afirma que Ribeirão Preto passou por mudanças no perfil das mortes violentas nos últimos anos.
Segundo ele, no passado, a cidade registrou aumento de crimes relacionados à disputa por pontos de venda de drogas, territórios e também à atuação de um grupo de extermínio. Atualmente, o cenário teria mudado, com destaque para o crescimento dos casos de feminicídio.
O promotor explica que os crimes contra mulheres estão relacionados a questões sociais e culturais, como a dificuldade de parte dos homens em reconhecer a autonomia feminina.
Violência
Marcos Túlio também chama atenção para situações de conflitos cotidianos que acabam em mortes por conta do uso de armas de fogo. Para ele, é necessário avançar no enfrentamento da violência e na busca por formas de resolução de conflitos sem o uso da força.
A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo foi procurada para comentar os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, mas não apresentou retorno até o momento.



