A preocupação das empresas com a saúde mental dos colaboradores se tornou um dos principais fatores considerados pelos jovens na hora de escolher uma vaga de emprego. É o que mostra uma pesquisa do CIEE, segundo a qual 98% dos entrevistados valorizam organizações que demonstram atenção ao bem-estar emocional dos funcionários.
Em entrevista à CBN Ribeirão Preto, a consultora empresarial Fabíola Molina afirmou que a transformação do mercado de trabalho, especialmente após a pandemia, alterou as expectativas das novas gerações, que hoje buscam ambientes mais saudáveis, oportunidades de desenvolvimento e lideranças preparadas para conduzir equipes.
Novo perfil
Segundo Fabíola Molina, ainda é comum que os jovens sejam rotulados como profissionais que não suportam pressão ou que têm pouco comprometimento. Para ela, essa visão desconsidera as mudanças ocorridas no mercado de trabalho e na forma como as pessoas enxergam suas carreiras.
A consultora explica que o trabalho deixou de ser visto apenas como uma fonte de renda e passou a representar também um espaço de crescimento, reconhecimento e realização. Nesse contexto, a saúde mental tornou-se um critério importante para a permanência dos profissionais nas empresas.
Ela destaca ainda que muitos jovens acompanham as experiências vividas por seus pais no ambiente corporativo e chegam ao mercado mais atentos à forma como as empresas tratam seus colaboradores e conduzem suas lideranças.
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Lideranças
Na avaliação da especialista, investir apenas em palestras sobre saúde mental não é suficiente. O principal desafio está na organização do trabalho e na construção de ambientes em que as relações sejam saudáveis.
Fabíola afirma que lideranças despreparadas, metas inalcançáveis e falta de diálogo comprometem o clima organizacional e contribuem para o adoecimento dos profissionais. Segundo ela, oferecer benefícios relacionados à saúde mental perde eficácia quando a rotina de trabalho permanece marcada por relações consideradas tóxicas.
A consultora também observa que muitos jovens demonstram pouco interesse em ocupar cargos de liderança justamente por enxergarem gestores sobrecarregados e submetidos a ambientes de alta pressão.
Desenvolvimento
Para Fabíola Molina, o crescimento profissional exige autoconhecimento, definição de objetivos e construção gradual da carreira. Ela ressalta que mudanças de trajetória são possíveis ao longo da vida, desde que acompanhadas de planejamento e desenvolvimento de competências.
A especialista defende que empresas e gestores mantenham conversas claras sobre desempenho, expectativas e oportunidades de evolução, oferecendo feedbacks objetivos e contribuindo para que os profissionais compreendam os caminhos de crescimento dentro da organização.
Segundo ela, ambientes que valorizam o diálogo, a colaboração e o desenvolvimento das pessoas tendem a fortalecer a saúde mental dos colaboradores e aumentar o engajamento das equipes.



