A campanha Setembro Verde busca ampliar a conscientização sobre a doação de órgãos e reforçar a importância de comunicar essa decisão à família. Segundo o médico nefrologista Felipe Miranda Bernardes, a falta de diálogo entre familiares ainda é um dos fatores que contribuem para a recusa da doação.
Em entrevista à CBN Ribeirão Preto, o especialista explicou que, a cada 14 potenciais doadores, apenas dois efetivamente realizam a doação. Entre os motivos estão a falta de informação sobre a vontade da pessoa, recusas por questões religiosas e mitos relacionados ao transplante.
O médico também destacou que, apesar de o Brasil ter um dos maiores sistemas públicos de transplantes do mundo, ainda existem desafios relacionados à estrutura e à logística, principalmente pela concentração dos procedimentos nas regiões Sudeste e Sul.
Quem pode doar
De acordo com Felipe Miranda, não existe uma idade limite para ser doador de órgãos. Após a determinação da morte encefálica, a equipe responsável pela doação avalia quais órgãos e tecidos podem ser efetivamente captados.
Além de órgãos como rins, fígado e córneas, também podem ser considerados outros tecidos, como ossos e músculos. Cada órgão é avaliado individualmente, de acordo com suas condições e características.
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Pessoas com doenças também podem ser doadoras, dependendo da situação. Hipertensão, diabetes e doenças cardíacas, por exemplo, não necessariamente impedem a doação de determinados órgãos. A avaliação é feita pela equipe responsável para verificar quais órgãos estão em condições adequadas para o transplante.
Doação em vida
O especialista explicou ainda que existem situações em que a doação pode ser realizada em vida. Um exemplo é o transplante de rim, no qual uma pessoa pode doar um dos órgãos. O transplante hepático também pode ser realizado com doador vivo.
Nesses casos, o doador é avaliado durante a vida. Já na doação após a morte encefálica, a equipe verifica as condições dos órgãos para definir quais podem ser utilizados.
Conversa em família
Para quem deseja ser doador, o médico afirma que o mais importante é comunicar a decisão aos familiares. Embora existam documentos e ferramentas legais para registrar a vontade, a família precisa estar ciente da opção.
Segundo Felipe Miranda, a principal recusa à doação ocorre, muitas vezes, porque os familiares não sabem qual era a decisão da pessoa em vida. Por isso, ele recomenda que o assunto seja discutido em momentos cotidianos, como durante um almoço ou jantar em família.
O especialista também reforçou que a conversa permite esclarecer dúvidas, combater mitos e deixar expressa a vontade de doar. Para ele, falar sobre o assunto com os familiares é fundamental para que a doação seja efetivada no momento oportuno.



