A emoção provocada pelos jogos da Copa do Mundo pode ir além da torcida e ter impactos na saúde cardiovascular. Estudos realizados em diferentes países e também no Brasil indicam que partidas decisivas estão associadas ao aumento de internações por problemas cardíacos, especialmente entre pessoas que já apresentam fatores de risco.
O alerta foi reforçado pelo pesquisador e professor Vítor Graça, da Unesp, ao explicar que situações de estresse emocional intenso durante jogos importantes podem funcionar como gatilhos para infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e outras complicações cardiovasculares.
Segundo ele, a preocupação é maior em momentos de mata-mata, quando a tensão e a expectativa dos torcedores costumam atingir níveis mais elevados.
Estudos
As primeiras observações sobre a relação entre futebol e problemas cardíacos surgiram após a Copa do Mundo de 1998, na França. Na época, pesquisadores identificaram aumento nas internações por complicações cardiovasculares durante os jogos da seleção francesa.
O mesmo fenômeno foi analisado posteriormente na Copa de 2006, na Alemanha, quando a associação entre partidas decisivas e atendimentos hospitalares se mostrou ainda mais evidente.
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No Brasil, pesquisas realizadas durante a Copa do Mundo de 2014 também apontaram crescimento das internações em dias de jogos da seleção brasileira, especialmente em confrontos mais emocionantes ou de maior tensão.
Jogos decisivos
De acordo com o pesquisador, partidas equilibradas e decididas nos momentos finais costumam provocar maior impacto emocional nos torcedores.
Um dos exemplos citados foi o confronto entre Brasil e Chile nas oitavas de final da Copa de 2014, decidido nos pênaltis após empate no tempo regulamentar. Segundo ele, esse tipo de situação gera mais estresse do que jogos com resultado definido com maior tranquilidade.
Até mesmo derrotas marcantes podem influenciar o comportamento fisiológico dos torcedores, devido à carga emocional associada ao resultado.
Reação do corpo
Durante momentos de forte emoção, o organismo libera hormônios relacionados ao estresse, como adrenalina e cortisol. Essas substâncias provocam alterações no funcionamento do sistema cardiovascular e podem aumentar o risco de complicações em pessoas predispostas.
Segundo o especialista, os efeitos não se limitam aos 90 minutos da partida. O organismo pode continuar sofrendo impactos do estresse por até 24 horas após o evento emocional.
Por isso, um eventual problema cardiovascular pode ocorrer mesmo depois do fim do jogo, quando o torcedor já não está mais assistindo à partida.
Fatores de risco
O alerta é especialmente importante para pessoas com histórico de hipertensão, diabetes, obesidade, doenças cardíacas ou que já sofreram AVC.
Nesses casos, a combinação entre fatores de risco já existentes e o aumento do estresse emocional pode elevar as chances de complicações cardiovasculares.
A recomendação é manter o acompanhamento médico regular e realizar exames preventivos para monitorar a saúde do coração.
Sinais de alerta
Entre os sintomas que podem indicar problemas cardiovasculares estão dor no peito, falta de ar durante esforços simples, cansaço excessivo, dores de cabeça associadas à pressão alta e alterações de sensibilidade.
Segundo o pesquisador, esses sinais não devem ser ignorados, principalmente quando surgem de forma recorrente ou diferente do habitual. A orientação é procurar avaliação médica sempre que houver suspeita de alterações na saúde cardiovascular.
Além do controle emocional, especialistas recomendam atenção ao consumo excessivo de álcool durante as partidas. O hábito pode potencializar riscos à saúde e favorecer episódios cardiovasculares agudos. Outra recomendação é evitar expectativas exageradas em relação aos resultados dos jogos, reduzindo a intensidade do estresse emocional provocado pela competição.
A prevenção e o acompanhamento médico continuam sendo as principais estratégias para diminuir os riscos e aproveitar os momentos de torcida com mais segurança.



