O aumento do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes e jovens tem preocupado especialistas em saúde. Segundo dados citados durante entrevista à CBN Ribeirão Preto, cerca de 15 milhões de adolescentes no mundo utilizam vapes, enquanto a presença do cigarro em produções de streaming também voltou a crescer, ampliando o contato da nova geração com o tabagismo.
O alerta foi reforçado pela médica de família e comunidade Gabriela Baçã Petri, que participa de uma ação realizada na Unidade de Saúde da Família Maria Casagrande Lopes, em Ribeirão Preto, em referência ao Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado em 31 de maio. A profissional destacou que o SUS oferece suporte multidisciplinar e tratamento gratuito para pessoas que desejam abandonar o vício.
Durante a entrevista, a médica explicou que os grupos de apoio desenvolvidos na unidade contam com farmacêuticos, enfermeiros, médicos e estudantes de medicina. O objetivo é auxiliar fumantes de diferentes idades a interromper o hábito e ampliar a conscientização sobre os riscos causados pelo cigarro tradicional e pelos dispositivos eletrônicos.
Novos hábitos
Gabriela afirmou que o crescimento do uso de cigarros eletrônicos agravou um problema que já era considerado preocupante no Brasil. Segundo ela, os novos hábitos relacionados aos vapes fizeram aumentar o número de pessoas expostas à nicotina, principalmente entre os mais jovens.
A médica explicou que a nicotina alcança o cérebro em cerca de 10 a 15 segundos após a inalação e provoca sensação momentânea de bem-estar, o que contribui para o desenvolvimento rápido da dependência química. De acordo com ela, o vício pode surgir logo nos primeiros contatos com o cigarro.
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Ela também destacou que muitos fumantes mantêm o hábito por questões emocionais, convivência familiar ou influência social. Em alguns casos, pessoas que cresceram em ambientes com fumantes acabam repetindo o comportamento ao longo da vida.
Apoio gratuito
A ação realizada na unidade de saúde marca uma comemoração para participantes que conseguiram interromper o tabagismo após participação nos grupos iniciados em 2025. A médica ressaltou que o atendimento ocorre de forma contínua ao longo do ano em diferentes unidades de saúde da família de Ribeirão Preto.
Segundo Gabriela, os interessados podem procurar a unidade de referência mais próxima da residência para obter informações sobre grupos de combate ao tabagismo e formas de acesso ao tratamento. Algumas unidades possuem lista de espera devido à procura pelos atendimentos.
Além do acompanhamento profissional, o SUS oferece gratuitamente adesivos de nicotina, medicamentos por via oral e suporte emocional para os participantes dos grupos. A médica reforçou que também é importante realizar avaliações médicas e exames preventivos relacionados às doenças causadas pelo cigarro.
Estratégias públicas
Durante a entrevista, a médica avaliou que campanhas antigas, como imagens de advertência nos maços de cigarro, tiveram impacto importante no passado, mas perderam força diante das mudanças no comportamento social e do crescimento das plataformas digitais.
Ela afirmou que as políticas públicas precisam acompanhar essas transformações e buscar novas formas de conscientização, principalmente entre adolescentes e jovens expostos ao conteúdo relacionado ao cigarro na internet e em serviços de streaming.
Gabriela ainda orientou fumantes a iniciarem pequenas mudanças para tentar abandonar o hábito, como escolher uma data para parar de fumar e adiar o primeiro cigarro do dia. Segundo ela, a decisão pessoal e o desejo real de interromper o vício tornam o processo menos difícil.



