Uma das principais características que pode distinguir os tipos da bebida é a quantidade de açúcar residual; saiba mais!
O sommelier e consultor de vinhos Roberto Coelho esclarece as diferenças entre vinhos secos e meio secos, Você sabe quais são as diferenças entre os vinhos secos e os meio secos?, destacando que essas classificações variam conforme a legislação de cada país. Ele explica que, especialmente em rótulos de vinhos do Velho Mundo, como os italianos, é comum encontrar a indicação “vinho meio seco” no contra-rótulo, o que pode gerar dúvidas para os consumidores brasileiros.
Segundo Coelho, a legislação brasileira classifica os vinhos em seco, meio seco, suave e doce, considerando apenas o teor de açúcar residual presente na bebida. Já a maioria dos países europeus avalia tanto o açúcar residual quanto o nível de acidez para definir essas categorias.
Classificação segundo o teor de açúcar residual
No Brasil, o vinho seco pode conter de 0 a 4 gramas por litro de açúcar residual. Para os espumantes, essa faixa é um pouco maior, de 0 a 6 gramas por litro, pois a legislação brasileira também leva em conta o teor de acidez nessa categoria. Já o vinho meio seco apresenta um teor de açúcar residual que varia de 4,1 a 25 gramas por litro, uma faixa bastante ampla que pode causar confusão na percepção do sabor.
Influência da acidez na percepção do sabor: Roberto Coelho destaca que pequenas variações no teor de açúcar residual, especialmente na casa de décimos de grama por litro, são praticamente imperceptíveis ao paladar. Um exemplo citado é a uva Primitivo, cultivada na região de Mandúlia, na Itália, que possui um teor de açúcar mais elevado e uma acidez residual também alta. Apesar do açúcar, esses vinhos são considerados secos devido à acidez que equilibra a doçura, mostrando que a classificação “meio seco” no rótulo nem sempre reflete a experiência sensorial real.
Recomendações para os consumidores: O sommelier recomenda que os consumidores não se baseiem apenas na descrição “meio seco” presente nos rótulos para avaliar o sabor do vinho. É importante conhecer a uva utilizada, a região produtora e o produtor para obter uma experiência mais completa e satisfatória na degustação.
Entenda melhor
A legislação brasileira sobre vinhos considera exclusivamente o teor de açúcar residual para classificar os vinhos, enquanto a legislação europeia inclui também o nível de acidez. Essa diferença pode levar a classificações distintas para o mesmo vinho, dependendo do país onde é comercializado. O equilíbrio entre açúcar e acidez é fundamental para a percepção do sabor, e o conhecimento sobre a origem e características da uva pode ajudar na escolha do vinho ideal.