José dos Santos, avô de Sophia Emanuelly dos Santos, de 3 anos, e Karen Tamires Marques, companheira dele, vão a júri popular pela morte da menina em Ribeirão Preto. Os dois estão presos preventivamente desde fevereiro e respondem por feminicídio qualificado, tortura e omissão.
A decisão que determinou que os dois sejam levados a julgamento ainda pode ser contestada pelas defesas. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, o júri só será marcado depois do fim da fase de recursos, caso a pronúncia seja mantida.
Sophia foi levada pelo avô a uma unidade de pronto atendimento de Ribeirão Preto na noite de 17 de fevereiro. José disse aos médicos que a neta havia passado mal e vomitado durante o trajeto. O pediatra de plantão, porém, constatou que a criança já estava morta e acionou a polícia.
Investigação
De acordo com o registro da ocorrência, Sophia apresentava hematomas pelo corpo e sinais de esganadura no pescoço. Uma médica legista estimou que a morte havia ocorrido entre seis e 12 horas antes de a menina ser levada à unidade de saúde.
Os exames também identificaram lesões de diferentes períodos, fraturas, edema cerebral e um quadro grave de desnutrição. Para os investigadores, os resultados indicavam que a criança vinha sendo agredida havia algum tempo.
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José tinha a guarda da neta desde 2024. Os três moravam em um apartamento no Parque São Sebastião, na zona leste de Ribeirão Preto.
Acusações
Durante a investigação, Karen confessou à polícia que batia na menina e que a havia esganado depois que Sofia se recusou a comer. As defesas de José e Karen, no entanto, negam que os dois sejam responsáveis pela morte da criança.
O promotor de Justiça Marco Túlio Nicolino afirmou que a decisão de levar os acusados a júri popular era esperada diante das provas produzidas durante o processo. Segundo ele, a investigação apontou tanto a participação ativa de Karen quanto a omissão atribuída a José.
“A pronúncia era mesmo de rigor e era esperada pelo Ministério Público”, afirmou o promotor, que também destacou o laudo necroscópico indicando que a menina havia sido esganada no dia da morte.
Conselho Tutelar
Além do processo criminal contra José e Karen, existe uma ação separada em que o Ministério Público pediu o afastamento de cinco conselheiras tutelares por suposta omissão na apuração de denúncias de maus-tratos feitas antes da morte de Sofia.
O processo criminal tramita em segredo de Justiça. A data do júri ainda não foi definida e dependerá do encerramento da fase de recursos.



