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Excesso de conteúdos rápidos pode afetar atenção e aumentar impaciência, alerta especialista

Uso acelerado de vídeos e áudios, estresse e excesso de redes sociais podem contribuir para a saturação e dificultar a concentração
Excesso
Minerva Studio/Canva

A falta de paciência para esperar, preencher formulários, enfrentar filas ou consumir conteúdos mais longos pode estar relacionada ao excesso de estímulos rápidos do cotidiano. Segundo o neurocientista Fabiano de Abreu Agrela, o uso frequente de vídeos e áudios em velocidades maiores pode levar o cérebro a se adaptar a períodos cada vez mais curtos de atenção.

Em entrevista à CBN, o diretor do Centro de Pesquisa e Análises Heráclito (CPH) explicou que esse comportamento está relacionado ao que chamou de “síndrome da saturação”. Ele afirma que ansiedade, estresse, preocupações financeiras e excesso de exposição às redes sociais também podem contribuir para a dificuldade de manter a atenção.

Conteúdo rápido

De acordo com Agrela, a utilização constante de velocidades como 1,5 ou 2 vezes para ouvir áudios e assistir a vídeos pode criar um ciclo. À medida que o cérebro se acostuma com conteúdos mais rápidos, períodos maiores de atenção podem se tornar mais difíceis.

O especialista afirma que, quando a pessoa passa a rejeitar áudios ou conteúdos por considerá-los demorados, mesmo quando têm duração curta, isso pode ser um sinal de ansiedade e de dificuldade de atenção. Ele relaciona o comportamento à capacidade do cérebro de se adaptar aos estímulos recebidos.

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Agrela também compara o fenômeno à atenção desenvolvida desde a infância. Segundo ele, experiências de falta de atenção emocional e afetiva podem influenciar o comportamento e a capacidade de concentração, embora ressalte que alguns diagnósticos de TDAH na fase adulta podem estar relacionados a outros fatores.

Estresse e redes

O cenário de estresse também pode intensificar a falta de paciência. O neurocientista afirma que preocupações com violência, situação financeira e outras questões do cotidiano aumentam a ansiedade e podem fazer com que conteúdos recebidos ao longo do dia pareçam menos interessantes.

As redes sociais também entram nesse processo. Agrela avalia que a necessidade de produzir e publicar conteúdos constantemente pode gerar saturação. Ele relata que já encontra pessoas que não têm mais vontade de gravar vídeos ou de manter a rotina de produção para as plataformas.

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Segundo o especialista, o excesso de estímulos também pode prejudicar a atenção durante atividades que exigem concentração prolongada, como uma aula. A pessoa estaria acostumando o cérebro a esperar uma mudança constante de estímulo.

Atividade física

Para combater esse processo, Agrela recomenda a prática de atividade física, incluindo musculação. Ele afirma que o exercício pode ajudar a pessoa a se afastar do telefone e dos estímulos constantes, especialmente quando a atividade é realizada sem o uso simultâneo do aparelho.

O especialista também relaciona a dificuldade de desacelerar à procrastinação. Segundo ele, a tomada de decisão envolve regiões cerebrais ligadas à atenção e à memória de trabalho, e a dificuldade de agir pode fazer parte do problema.

Agrela defende ainda que a forma de lidar com a saturação precisa considerar as características individuais de cada pessoa. Ele afirma que seu trabalho envolve análises genéticas e fatores relacionados à genômica e à epigenética para elaborar estratégias específicas.

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