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Bullying na escola exige atenção a mudanças de comportamento e atuação conjunta com as famílias

Especialista em educação explica como identificar sinais de intimidação, diferenciar conflitos pontuais de bullying e acolher vítimas e agressores
Bullying
Pixelshot/Canva

Humilhações, apelidos ofensivos, exclusão, ameaças e agressões pelas redes sociais estão entre as formas de manifestação do bullying, uma violência que pode deixar marcas na vida de crianças e adolescentes. No Dia Mundial de Combate ao Bullying, o tema reforça a importância da prevenção e da atuação conjunta entre escolas e famílias para identificar os casos e evitar que as agressões continuem.

Em entrevista à CBN Ribeirão Preto, a especialista em educação Daniela Spegiorin explicou que o bullying é caracterizado pela violência intencional e repetitiva, que pode ser física, verbal, psicológica, social ou virtual. Segundo ela, a diferença em relação a um desentendimento pontual está na repetição das agressões e, muitas vezes, no desequilíbrio de poder entre os envolvidos.

A discussão também ganha relevância após um caso registrado em Ribeirão Preto, em que um adolescente de 13 anos foi esfaqueado por outro estudante dentro de uma escola particular. Segundo o relato do autor da agressão à polícia, ele sofria humilhações de colegas.

Sinais de alerta

Mudanças no comportamento podem indicar que uma criança está sofrendo bullying. De acordo com Daniela, pais e professores devem observar se o estudante passa a evitar a escola, apresenta dores físicas próximas ao horário de ir às aulas ou se torna mais introspectivo e menos disposto a conversar sobre o dia a dia.

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A especialista destaca que nem sempre a vítima consegue relatar o que está acontecendo. Por isso, é importante que os adultos estejam atentos aos sinais e ofereçam um ambiente seguro para que a criança fale sobre suas experiências, sem medo de ser julgada ou de ter o sofrimento minimizado.

Daniela também explica que o bullying pode estar relacionado à busca por popularidade ou à tentativa de demonstrar superioridade em relação aos colegas. A dificuldade de aceitar diferenças pode contribuir para a continuidade das ofensas e das agressões.

Papel da escola

Quando há suspeita de bullying, a escola deve investigar a situação e conversar com os envolvidos. A orientação da especialista é ouvir a vítima separadamente do agressor, permitindo que ela relate há quanto tempo sofre as agressões e em quais circunstâncias elas acontecem.

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Depois, a instituição deve conversar com o estudante apontado como autor das intimidações para compreender os motivos do comportamento e explicar as consequências dos atos. Segundo Daniela, é necessário responsabilizar o agressor, mas também trabalhar a conscientização e a empatia, sem rotular a criança de forma permanente.

A participação das famílias é fundamental para que a intervenção tenha continuidade. A especialista recomenda que os responsáveis procurem primeiro a escola, evitando confrontos diretos com outras famílias. Dessa forma, os adultos podem atuar em conjunto para oferecer suporte tanto à vítima quanto ao estudante que praticou as agressões.

Cyberbullying

As agressões também podem ocorrer no ambiente virtual, por meio de mensagens, publicações e outras formas de exposição. Segundo Daniela, o cyberbullying pode ter um alcance maior e voltar a acontecer muito tempo depois do episódio inicial, fazendo com que a vítima reviva o sofrimento e tenha a autoestima prejudicada.

Nesses casos, a família pode identificar os sinais e procurar a escola para que a instituição avalie a situação e organize ações de conscientização sem expor novamente a vítima. A especialista ressalta que a prevenção deve fazer parte da rotina escolar, por meio de projetos e discussões sobre as consequências do bullying e do cyberbullying.

Daniela relatou que a escola em que trabalha desenvolveu um projeto preventivo e registrou uma redução significativa dos casos pontuais de bullying. Segundo ela, o trabalho também aborda a legislação relacionada à criminalização dessas condutas, tanto no ambiente escolar quanto no virtual.

Acolhimento familiar

Quando descobrem que o próprio filho está sofrendo bullying, os responsáveis devem acolhê-lo e demonstrar que ele pode falar sobre o que está acontecendo sem ser julgado. A mesma atenção é necessária quando a família identifica que a criança está praticando intimidação contra colegas.

Nessa situação, a orientação é não rotular o estudante, mas ajudá-lo a compreender os impactos de suas atitudes e desenvolver empatia. Para Daniela, a atuação conjunta entre escola e família é essencial para que a criança reconheça o problema e interrompa o comportamento agressivo.

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