O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, investiga suspeitas de fraudes envolvendo ações judiciais contra bancos em Franca e região. A operação Garateia apura se escritórios de advocacia utilizaram procurações antigas ou genéricas para ajuizar milhares de processos em nome de aposentados e pensionistas, inclusive sem o conhecimento dos clientes.
A investigação começou em 2024 e também busca esclarecer suspeitas de que valores obtidos nas ações tenham sido sacados e retidos sem o devido repasse aos beneficiários. Nesta terça-feira (20), foram cumpridos mandados de busca e apreensão, com apreensão de celulares e computadores. Cinco pessoas foram alvos da operação em Franca, mas ninguém foi preso na cidade.
A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 3 milhões em bens e valores dos investigados. Segundo o levantamento do Tribunal de Justiça de São Paulo, o grupo ajuizou mais de 12 mil ações nos últimos três anos.
Valores investigados
Uma análise financeira autorizada pela Justiça identificou cerca de R$ 11 milhões recebidos por contas ligadas aos investigados entre 2021 e junho de 2025. O montante corresponde a quase 3,8 mil levantamentos de valores depositados em processos judiciais, uma média superior a dois por dia útil.
De acordo com os investigadores, apenas cerca de um quarto do total teria sido transferido para pessoas de fora do grupo. A apuração também identificou uma empresa ligada aos investigados em Franca que arrecadou aproximadamente R$ 770 mil em taxas cobradas de mais de 2,7 mil pessoas.
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Além disso, cerca de R$ 1,38 milhão foi sacado em dinheiro entre dezembro de 2024 e março de 2025. Segundo os investigadores, o destino desse valor não foi localizado.
Procurações suspeitas
As investigações apuram como os escritórios conseguiam informações sobre contratos bancários de aposentados e pensionistas, especialmente empréstimos vinculados a benefícios do INSS. A suspeita é de que os advogados identificassem possíveis juros abusivos e entrassem com ações contra os bancos sem que os próprios clientes tivessem solicitado os processos.
Em um dos escritórios acompanhados pela reportagem durante o cumprimento dos mandados, foram identificados três casos em que os repasses aos clientes não teriam ocorrido da maneira correta, conforme relatado pelo repórter Caik Castro.
O nome da operação, Garateia, faz referência ao método investigado pelo Gaeco. Segundo a explicação apresentada durante a cobertura, uma mesma procuração teria sido utilizada para ajuizar várias ações em nome de um único cliente, multiplicando os processos a partir de uma única autorização.
As investigações continuam. O Ministério Público informou que não realizará coletiva de imprensa sobre a operação em Franca.



