A investigação sobre a tentativa de feminicídio contra Gabriele Gonçalves, em Cajuru, ganhou um novo desdobramento com a anexação de uma carta ao processo. O documento foi escrito por uma ex-namorada de Denis Cipriano de Carvalho Silva, de 31 anos, apontado pelo Ministério Público como autor das agressões contra a vítima.
Na carta, a ex-companheira relata episódios de violência física, psicológica, ameaças e comportamentos agressivos durante um relacionamento que durou quatro anos. O conteúdo poderá integrar o conjunto de provas que será analisado pelos jurados durante o julgamento do caso.
O crime ocorreu em janeiro de 2025 e teve grande repercussão após a divulgação de imagens de câmeras de segurança. Segundo a denúncia, Gabriele foi agredida durante uma festa e, posteriormente, dentro de uma caminhonete, de onde teria sido empurrada em movimento.
Nova carta
O documento anexado ao processo descreve situações de ciúmes excessivos, possessividade e agressividade atribuídas a Denis. Entre os relatos, a ex-namorada afirma que, durante uma discussão dentro de um carro, ele dirigiu em alta velocidade por uma rodovia da região enquanto fazia ameaças de morte.
Ela também relatou agressões físicas durante o relacionamento. Segundo o documento, em um dos episódios recordados, sofreu puxões de cabelo e socos na cabeça durante um trajeto entre o trevo de Cajuru e o sítio de seus pais. A carta surge na fase final da tramitação do processo e poderá ser considerada juntamente com os demais elementos já reunidos pela investigação.

Valor jurídico
Para o advogado Leonardo Afonso Pontes, o documento poderá contribuir para a formação do convencimento dos jurados, desde que seja submetido ao contraditório e à ampla defesa ao longo do processo.
Segundo ele, a carta representa um elemento novo dentro da ação penal e deverá ser analisada em conjunto com as demais provas já produzidas. A decisão sobre a responsabilização do acusado caberá aos jurados. O advogado também explicou que, em caso de condenação, a pena poderá ultrapassar oito anos de prisão, dependendo das circunstâncias reconhecidas pela Justiça e das qualificadoras eventualmente aplicadas ao crime.
Caso Gabriele
De acordo com a denúncia do Ministério Público, Denis e Gabriele participavam de uma festa quando iniciaram uma discussão. A acusação sustenta que a vítima foi agredida ainda no local e também durante o trajeto dentro de uma caminhonete.
As imagens registraram o momento em que Gabriele caiu do veículo em movimento. Ela sofreu ferimentos graves e precisou ser socorrida. Em depoimento concedido após o crime, a vítima afirmou que abriu a porta do veículo e teria sido empurrada pelo companheiro.
A defesa de Denis sustenta que ele não teve intenção de matar Gabriele e afirma que ela teria se jogado da caminhonete. Atualmente, ele está preso por descumprimento de medida protetiva após, segundo a investigação, ter rondado o local de trabalho da vítima. A Justiça negou um pedido da defesa para revogar a prisão. A data do julgamento ainda não foi definida.



