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Como lidar com divergências políticas em grupos de família durante as eleições

Psicanalista orienta a recuar, questionar as próprias convicções e estabelecer limites para evitar conflitos e preservar relações
eleições
Tero Vesalainen de Getty Images/Canva

A proximidade das eleições costuma aumentar as discussões políticas em grupos de família e nas redes sociais. Para o psicanalista, pesquisador e escritor Lucas Lujan, uma das formas de reduzir os conflitos é dar um “passo para trás”, questionando as próprias convicções antes de tentar convencer o outro.

Durante entrevista à CBN, Lujan afirmou que, em momentos de polarização, é importante reconhecer que a própria visão pode não contemplar todos os aspectos de uma questão. Segundo ele, essa postura permite ampliar a perspectiva e abrir espaço para o diálogo.

O especialista também ressalta que respeitar uma opinião diferente não significa aceitar agressões, abusos ou violência. Quando os limites são ultrapassados, ele considera possível interromper ou até romper uma relação, inclusive entre familiares.

Recuar e ouvir

Segundo Lucas Lujan, o primeiro movimento diante de uma discussão política deveria ser uma reflexão sobre as próprias certezas. Em vez de partir da ideia de que o outro está necessariamente errado e precisa ser convencido, ele propõe questionar o que pode estar sendo ignorado.

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O psicanalista afirma que essa postura também ajuda a compreender que o outro não precisa funcionar como um espelho das próprias convicções. Para ele, pessoas com pensamentos diferentes devem ter espaço para existir, ser ouvidas e manter suas próprias perspectivas.

Quando apenas uma das pessoas está disposta ao diálogo, Lujan recomenda não responder às provocações na mesma intensidade. É possível reconhecer a divergência e manter a relação sem transformar a diferença de opinião em uma disputa.

Limites necessários

O especialista destaca que existe uma diferença entre divergência e agressão. Caso o comportamento do outro ultrapasse os limites e se torne violento ou abusivo, ele afirma que o vínculo familiar ou de amizade não deve ser usado como justificativa para suportar a situação.

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Nas redes sociais, Lujan considera que o bloqueio pode ser utilizado quando há invasão agressiva do espaço pessoal. Antes disso, porém, ele defende uma tentativa de conversa para estabelecer limites e deixar claro que cada pessoa tem direito ao próprio espaço e às próprias opiniões.

Para o psicanalista, a família também não deve ser vista como um ambiente onde qualquer comportamento é permitido. Ele afirma que abuso, agressão e violência não devem ser tolerados independentemente da existência de laços de sangue.

Diálogo

Lujan também defende uma postura de humildade diante das próprias convicções. Segundo ele, ninguém sabe ou compreende tudo, e existem experiências e pontos de vista que não fazem parte da própria realidade.

Por isso, o diálogo seria uma alternativa à agressividade e à necessidade de estar sempre certo. O especialista afirma que dar um passo para trás pode ajudar a reconhecer os próprios limites e criar condições para uma conversa com quem pensa de maneira diferente.

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